será que, às vezes, a gente se dá tanto a outra pessoa que chegamos a desaparecer? Será que quando damos uma carta, um bilhete, um telefonema que nunca é correspondido, será que é assim que a gente vai se perdendo? Será que é assim que tudo se acaba? Ou nem mesmo começa?
Ontem eu me procurei por todos os cantos que eu costumo ir, mas não me achei! Foi aí que eu percebi que eu não tinha mais nada, que foi tudo embora Toninho, que eu não tinha mais nem a mim! Mas onde foi que eu me perdi? Em que carta, declaração ou esquina eu deixei que eu fosse embora de mim sem nem mesmo me despedir? Onde foi aquela menina sonhadora, que um dia iria pra África e salvaria multidões?
A janela do quarto estava aberta e o vento me trouxe uma folha em branco. A folha sorriu pra mim. Ela disse que sim, que me entendia: ela mesma era um grande vazio. Mas eu não sei te preencher, disseram meus dedos trêmulos de frio.
Não resisti: me entreguei à folha. Afundei o meu vazio nela o mais que pude. Como se assim pudesse aprisionar o meu vazio em um instante. Como se assim pudesse aprisionar o amor. Então eu aprendi: não importa o quanto você não exista mais pra você, nem em quantos mil pedacinhos você se encontra depois de tantas decepções.
Uma folha em branco pode ser uma carta pra alguém que, mais que tudo, apesar de tudo, em uma fração de segundo me comove e me arrebata e me abraça com um abraço forte e me completa.
E isso é maior que tudo, mais lindo que tudo, muito mais lindo do que se eu fosse uma pessoa inteira.
Karola sobre o seu vazio momentâneo !
- Marla de Queiroz

O amor é o abstrato da vida. Ninguém consegue defini-lo, apenas senti-lo.
O amor é o incerto, é o certo mas o errado também.
O amor é indescritível, incompreensível, invencível. Impossível? (as vezes).
O amor é a causa da insônia e da agonia de querer pra sempre.
O amor é compasso dos teus passos. O amor é um abraço.
O amor agora é um delírio. Que bagunça a cabeça da gente, que enrosca na mente e não sai do coração. O amor é a loucura e a sanidade. O amor é droga pura que se usa em toda idade. Traz tristeza mas também felicidade. O amor é contra, o contradito, a contradição do que bem queremos pra nós mesmos.
O amor é o amado, o fiasco do que não durou.
O amor faz sorrir, mas em muito faz chorar, ou talvez o meu amor seja dramático demais.
Sempre existirá um amor, calmo, conturbado, manso ou apaixonado, afinal, o amor vai ser sempre o amor!
Almocei ao lado de um casal. Ela dizia "você não tem atitude". E ele ficava quieto. Ela dizia "custava ter se oferecido pra me levar, você sabia que eu tava nervosa". Ele só coçava a testa. Ela dizia "ce pagou quanto". Ele fazia com os dedos "três". Ela gritava "três paus??? tá vendo, ce tem preguiça de procurar". Ele enfiava a cabeça na palma da mão esquerda. Ela dizia "ce vai querer tentar?" Ele olhava o cardápio. Dai ficarem em silêncio uns vinte minutos. Até que ela falou "seu suco não veio, quer o meu?". E ele quis.
Amar um homem é, basicamente, desistir.
Nice Méia






