Nada mais fugidio e elusivo do que o “momento decisivo” perseguido e fotografado por Henri Cartier-Bresson ao longo da vida – aquele que define a essência de uma situação. Não raro, esse instante se apresenta sem avisar. Com frequência, sequer é percebido por quem o captou.

Cinquenta e quatro anos atrás, um jovem fotógrafo do Arkansas Democrat conseguiu encapsular um desses momentos com sua primeira Nikon S2, máquina da era pré-digital. Carregou a máquina com um filme Kodak Plus X, ótimo para manhãs ensolaradas de final de verão, e foi cobrir o primeiro dia de aula de um grupo de estudantes negros na maior e melhor escola média de Little Rock. Esse pedaço de história ficou gravado no negativo de número 15.

Eram apenas nove os jovens negros selecionados pela direção do principal colégio da cidade, o Central High School, para cumprir a ordem judicial de integração racial no país. Segundo David Margolick, autor do recém-publicado Elizabeth and Hazel: Two Women of Little Rock (ainda inédito no Brasil), a peneira foi cautelosa. A busca se concentrou em colegiais que moravam perto da escola, tinham rendimento acadêmico ótimo, eram fortes o bastante para sobreviver à provação, dóceis o bastante para não chamar a atenção e estoicos o suficiente para não revidar a agressões. Como conjunto, também deveria ser esquálido, para minimizar a objeção dos 2 mil estudantes brancos que os afrontariam.

Assim nasceu o grupo que entraria na história dos direitos civis americanos como “Os Nove de Little Rock”. Eram todos adolescentes bem-comportados, com sólidos laços familiares, filhos de funcionários públicos e integrantes da ainda incipiente classe média negra sulista. Entre eles, a reservada Elizabeth Eckford, de 15 anos.

Os pais dos nove pioneiros foram instruídos a não acompanharem os filhos naquele 4 de setembro de 1957, pois as autoridades temiam que a presença de negros adultos inflamasse ainda mais os ânimos. Por isso, os escolhidos agruparam-se na casa de uma ativista dos direitos civis e de lá seguiram juntos para o grande teste de suas vidas. Menos Elizabeth, que não recebera o aviso para se encontrar com os demais e partiu sozinha rumo a seu destino.

e longe ela avistou a massa de alunos brancos passando desimpedidos pelo cordão de isolamento montado pela Guarda Nacional do Arkansas. Ao tentar fazer o mesmo, foi barrada por três soldados que ergueram seus rifles. Elizabeth recuou, procurou passar pela barreira de soldados em outro lugar da caminhada e a cena se repetiu. Alguém, de longe, gritou “Não a deixem entrar” e uma pequena multidão começou a se formar às suas costas. Foi quando Elizabeth se lembra de ter começado a tremer. Com a majestosa fachada da escola à sua frente, ela ainda fez uma terceira tentativa de atravessar o bloqueio em outro ponto do cordão de isolamento.

Como pano de fundo, começou a ouvir invectivas de “Vamos linchá-la!”, “Dá o fora, macaca”, “Volta pro teu lugar”, frases proferidas por vozes adultas e jovens. Atordoada, dirigiu-se a uma senhorinha branca – a mãe lhe ensinara que em caso de apuro era melhor procurar ajuda entre idosos. A senhorinha, porém, lhe cuspiu no rosto.

Como não conseguisse chegar à escola, a adolescente então tomou duas decisões: não correr (temeu cair se o fizesse) e andar um quarteirão até o ponto de ônibus mais próximo. Um aglomerado de cidadãos brancos passou a seguir cada passo seu. Imediatamente às suas costas vinha um trio de adolescentes, alunas do colégio. Entre elas, Hazel Bryan.

“Vai pra casa, negona! Volta para a Á”– clic– “frica!” Segundo o autor do livro centrado no episódio, foi este o instante em que a câmera de Will Counts captou a imagem que se tornaria histórica.

Hazel, de quinze anos e meio, não carregava qualquer livro escolar. Apenas uma bolsa e um inexplicável jornal. Ela não planejara nada para aquela manhã. Vestira-se com o esmero que era sua marca – roupas e maquiagem ousadas para uma adolescente daquela época – e arvorou-se de audácia ao ver tantos fotógrafos e soldados da Guarda Nacional. Nada além disso. O resto pode ser debitado à formação que recebera em casa – família de origem rural, ideário fundamentalista cristão, atitude racial aprendida com o pai.

 foto que correu mundo e fez a alegria da União Soviética naquele auge da Guerra Fria é tudo, menos estática. Ela fala, grita, tem vida e movimento. Mostra Elizabeth num vestido de algodão feito em casa, estalando de branco, com um fichário e um livro apertados contra o peito e medo escondido por óculos escuros. Em meio à massa de brancos que a seguem, Hazel. Olhos e sobrancelhas franzidos, a boca aberta contorcida pelo ódio e pela raiva.

Foi assim que Elizabeth e Hazel se “encontraram” sem se conhecerem. E é o que as manteve ligadas, ora contra, ora por vontade própria, por mais de cinquenta anos.

Assim como Hazel se converteu na imagem oficial da intolerância, a caminhada solitária de Elizabeth virou bandeira para toda uma geração de atletas, advogados, professores negros decididos a não recuar. Décadas depois do episódio, Bill Clinton, que governou o mesmo Arkansas nos anos 80, admitiu o quanto a foto fez com que ele acertasse seu compasso moral.

Em seu livro sobre essas duas vidas, o jornalista David Margolick responde a todas as perguntas que a foto deixa suspensas, e vai além. Editor da revista Vanity Fair, ele já havia escrito Strange Fruit – The Biography of a Song, a canção que Billie Holiday imortalizou em 1939 e que já expunha o racismo e denunciava os linchamentos de negros.

O episódio daquela manhã de 1957 levou Little Rock à combustão e convenceu o presidente Dwight Eisenhower a enviar tropas da 101ª Divisão Aerotransportada para assegurar a integração escolar decidida três anos antes pela Suprema Corte. Ironicamente, Hazel e Elizabeth jamais chegaram a se cruzar nos corredores da Central High School, pois os pais da menina branca, assustados com a repercussão da foto, preferiram trocá-la de escola. Mas “Os Nove de Little Rock”, uma vez admitidos, viveram anos de pavor. Semana após semana, foram alvo de agressões – desde cusparadas a cacos de vidro no chão do chuveiro na hora do banho. Elizabeth, primeira a ser empurrada escadaria abaixo, só teve o rosto preservado por ter usado como escudo o mesmo arquivo que segura na foto.

ali em diante, em plena era Kennedy dos anos 60, Hazel, a garota branca, seguiu seu destino. Abandonou o colégio, casou-se aos 17 anos, teve três filhos, morou em trailers, partiu de Little Rock e fez paradas temporárias em atividades tão distintas como apresentações de dança do ventre e trabalho voluntário junto a crianças carentes negras. De volta a Little Rock, despencou para perto da linha da pobreza e era vista como um fantasma a rondar o passado de violência da cidade. Decidiu então ir ao encontro de seu indesejado papel na história americana e embarcou em ações sociais e ativismo comunitário.

Elizabeth, enquanto isso, passou cinco anos servindo no Exército, mas conseguiu formar-se em história pela Universidade do Estado de Ohio. Mãe solteira de dois filhos e recorrendo ao auxílio-desemprego nos anos 80, beirou a depressão. Um de seus filhos, também depressivo, acabou sendo morto por um policial ao sair dando tiros pela rua.

Somente em 1997 as duas mulheres, então com 55 anos de idade, se encontraram de verdade. A ocasião foi um evento, com novo espocar de flashes e publicidade: o 40º aniversário da fatídica manhã de 4 de setembro de 1957. Várias décadas antes, Hazel conseguira localizar Elizabeth pela lista telefônica, tomou coragem e discou o número para pedir desculpas. Elas foram aceitas sem, contudo, entreabrir qualquer contato pessoal.

Foi por ocasião do evento comemorativo de 1997 que as duas mulheres estabeleceram um tênue laço. Participaram de um seminário sobre questões raciais, deram palestras, foram entrevistadas por Oprah Winfrey. Chegaram a cogitar escrever um livro a quatro mãos. E posaram também, desta vez lado a lado, para nova foto feita pelo mesmo Will Counts. Nela, as duas aparecem sorrindo em frente ao portal da Central High School, e a imagem acabou sendo transformada num pôster intitulado “Reconciliação”. E quando a sessão de fotos se encerrou, com ambas já fora de enquadramento, as duas mulheres iniciaram uma tentativa de amizade.


À medida que Elizabeth foi ganhando em autoestima, porém, ela voltou a tomar distância de Hazel. A bordo do cargo de oficial de justiça e agraciada com uma Medalha de Ouro do Congresso, ela foi se tornando mais exigente, mais crítica, menos disposta a oferecer perdão em nome de um final feliz. Desconfianças antigas reemergiram e quando o episódio completou meio século, em 2007, a relação tinha azedado de vez. Naquele ano, Elizabeth acusou Hazel de se esconder atrás de uma confortável amnésia sobre o incidente – ela havia descoberto que a adolescente branca mantivera contato o tempo todo com os alunos da escola que infernizaram a vida dos nove negros, e que Hazel fazia parte de um grupo organizado que os atacava fisicamente.

Hazel, por seu lado, mantém até hoje que naquela manhã de 54 anos atrás ela não pestanejou nem se sentiu mal. Para o autor de Two Women [Duas Mulheres], em momento algum ela achou ter feito algo errado. Ou inusitado. Ou que marcaria a sua vida para sempre. Ela estava apenas traduzindo o que ouvira em casa durante quinze anos.

Ambas chegam à terceira idade cansadas de dar palestras e entrevistas que apenas reavivaram ressentimentos e frustração – Hazel diz que não aguenta mais pedir desculpas; Elizabeth sustenta que sua nêmesis, no fundo, sequer sabe do que está se desculpando. “Elizabeth só então se deu conta do quanto de amargura carregava no peito, e o quanto de raiva e ódio a haviam paralisado”, escreveu Margolick. E conclui: “Ela sempre teve melhor formação e foi mais intelectualizada do que Hazel, mas Hazel acabou mais bem ajustada no seu entorno social.”

Segundo o autor, novas barreiras substituíram as antigas e o embrião de amizade acabou sendo solapado pelas mesmas fissuras e incompreensões que continuam a permear as relações raciais nos Estados Unidos. Margolick vai além do simples acompanhamento das duas mulheres idade adentro. Ele amplia a narrativa, torna-a mais complexa. As vidas entrelaçadas de Elizabeth e Hazel servem de metáfora para o país, sem soluções fáceis para um impasse moral dessa grandeza.

Elizabeth nãose dispôs a entrar na Central High School em 1957 para fazer amizades. Ela sentou nos bancos da escola segregada para quebrar as barreiras legais e institucionais que negavam aos negros americanos oportunidades iguais. Hoje, as barreiras legais não mais existem. Mas a cor da pele ainda marca bairros, igrejas, prisões e também escolas nos Estados Unidos. Em 2007, meio século depois que Elizabeth e Hazel protagonizaram o “momento decisivo” captado em foto, 40% das crianças negras americanas ainda frequentavam escolas quase totalmente segregadas.

Fonte: Revista Piaui
por Dorrit Harazim




Amanhã faço 20. Pra mim, não estou velha, nem nova, me sinto apenas, evoluindo, não em idade, mas em ciclos de vida.
Tem dias, que acordo me sentindo aos 40. Talvez por me sentir um pouco atrasada em um mundo onde tudo é tão precoce.
EU: Sem faculdade, sem carro, sem apê, seeeeeeeem CNH...Ó my God! Maldita CNH que não sai nunca. Maldita mania de procrastinar tudo, e até procrastinar a arte que é procrastinar...
Vinte anos, não fiz intercâmbio, não fiz uma viagem dos sonhos, não tive festa de 15 anos, não conheci um príncipe num cavalo branco, ainda ando de ônibus, tenho que trabalhar e me virar pra pagar minhas continhas, não sou uma super nerd que conseguirá entrar em Harvard com tudo pago (OMG) ...vivi vinte anos assim, nessa vida que me arrastou até hoje...e vocês pensam que eu estou feliz em completar mais um ano dessa mesma vida?
SIIIIIIM!!! é claro que estou. Estou feliz em ter conseguido chegar aqui, mesmo com tantas dificuldades e marés altas, a vida me dá diariamente motivos para ser grata e feliz por tudo que sou.
Não fiz intercâmbio, mas conheço minha cidade, conheço meu povo e não há lugar melhor do que a terrinha da gente, e sonho que as crianças daqui sejam aqui mesmo o que seriam se fossem pro intercâmbio. 
Quero enriquecer aqui, minhas crianças, minha cidade, meu País, não quero fugir disso e sonhar com o que os gringos já possuem..isso é besteira!
Não fiz uma viagem dos sonhos, mas a cada pequena viagem que fiz vivi lindas memórias, irmãos apertadinhos no carro cantarolando mais alto que o rádio várias canções que faziam meus pais enlouquecerem e mandarem os 3 ficarem quietos e sem rir...o que obviamente, causava risos internos que escapavam nos cantos dos lábios e nos faziam querer rir feito hienas...cada cidadezinha que parávamos se tornava ponto turístico para o melhor guia da história: MEU PAI! sempre inventando coisas engraçadas e contando histórias mirabolantes de cidades tão pacatas que até cavalo se entediaria...mas não perto do meu pai! As viagens foram poucas, mas marcantes para toda uma vida.


Não tive festa de 15 anos...mas obrigada queridos pais, obrigada por me fazerem chegar aos 15 sem filhos, com estudo, e com princípios inegociáveis,  isso me fez a mulher que sou hoje, uma festa jamais seria tão luminosa quanto o brilho que vocês lumiaram em mim.
Não fui e nem vou pra Harvard kkkk, mas pra mim nada é mais precioso do que a curiosidade e a sagacidade que descobri com cada livro que li, minha mãe sem ter doutorado foi a doutora mais eficiente da minha vida, curando meus tédios, minhas dúvidas e meus medos com doses de livros que me deram asas, me deram as mesmas asas que a doutora desenvolvera, asas feitas de palavras que nos libertam quando precisamos expressar a inundação de pensamentos que nos piram todo santo dia. Fiquei uma doida sábia, e como se sabe a sabedoria é aluna de Deus.
Não conheci um príncipe no cavalo branco...é, mas conheci alguns plebeus que me arrancaram sorrisos e lágrimas, e me fizeram amadurecer para o dia em que encontraria O plebeu que encheria meu coração dos sentimentos mais nobre que qualquer príncipe já lerá nos sonetos e poesias a temporãos, O plebeu que trouxe tanto amor, que qualquer outra exigência para um relacionamento se rendeu facilmente e o condecorou  ao mais alto escalão do meu coração. 
O mundo me criou iludida por coisas materiais, onde o ter é mais importante que o ser.
Mas hoje, me sinto orgulhosa da mulher que me tornei.
Regada pelo amor dos meus pais que me receberam quando não havia terra muito fértil para me plantar, mas plantaram, e regaram diariamente com todo amor e dedicação possível e impossível, me deixaram enfrentar tempestades para que minhas raízes ficassem mais fortes, mas sempre com as mãos prontas a me proteger. Me livraram dos espinhos, das ervas daninhas da adolescência, me firmaram em Rocha firme, e me fizeram desabrochar, e agora se enchem de alegria ao ver-me toda flor na vida.
Meus vinte anos não chegará com festas, paetês, fru-frus, mas chegará enfeitando minha alma com mais coragem, perseverança, fé, e muito amor...e sabe, acho que pra fechar com chave de ouro eu só preciso de um bolinho de fubá com chá quentinho para realmente comemorar...


Parabéns para eu, parabéns para mim :)





  Karola que escreveu sem reler, porque vive a vida sem repensar, e no texto de aniversário só quis jogar as palavras na tela e se sentir feliz, sem ter que parecer bonito ou certo, certo é escrever o que sente e por um 'the end' no final ;*

E agora, uma musiquinha pra animar MEU (Muahahaha) dia u_u kkkkk







eeeee.....THE END !!! :D





Porque associaram minha pele com a sensualidade? Porque colocam sempre uma negra como tentação para homens casados? Quem foi que disse que a minha cor é a cor do pecado? 

Hoje, me abordaram dizendo que eu deveria sair na maior escola de samba aqui de Bauru, que eu tenho "porte" e beleza ideal pra isso, e que seria o espetáculo da noite. Eu, inocentemente respondi que não gosto de carnaval, e jamais sairia em uma escola de samba por motivos pessoais.
Nessa, o cara me olha e diz: "Nossa, as mulatas de hoje não estão servindo nem pra sambar!!!". 
Virou-se e esnobou-me. Não acreditei! Fiquei boquiaberta e paralisada com tal frase recheda de arrogância e preconceito.
Senti o racismo perfurando minhas entranhas, e aquela frase impregnou meu ser me gerando um ódio inexplicável, e eu ali, parada, estática, sem poder sequer retrucar.
Engoli a seco aquelas palavras que desceram rasgando minha alma, e me senti tão impotente quanto uma escrava abusada pelo capataz, era como se aquelas palavras nojentas estivessem grudadas em mim.
Fiquei regurgitando aquela frase, e senti nojo do que a indústria e os "poderosos" fazem com a figura da mulher mulata e negra.
Nos julgam como "gostosas", donas de belas bundas e quadris invejáveis (o que não é o meu caso), marrom-bombom, cor do pecado...nos jogam no carnaval para os gringos como se joga milho para galinhas famintas, fingem nos coroar rainhas, mas a coroa é cravada de pura luxúria e sexualismo.


Quando me revoltei com o babaca, fui pesquisar sobre a banalização da mulher negra no Brasil, e ao me deparar com a primeira foto deste post no instagram da Sheron Menezes, me senti em um mercado humano na época colonial, senti vergonha do Brasil, senti ódio da rede globo. Que porra é essa agora? Negros vendendo negros? O que faz uma negra aceitar apresentar um quadro onde sua própria raça é desvalorizada e apresentada como objeto sexual? Um contrato? Um cachê? Ou a falsa glória de que uma negra que vende negras está livre do próprio jugo de sua raça? Impossível compreender.
A globo continua vendendo carnaval como se fosse uma afirmação da cultura negra, pregando que festa é nossa, por isso devemos eleger a mais bela bunda negra para sacudir a Sapucaí e deixar os gringos babando, devemos todas sambar, aproveitar o espaço em rede nacional que só nos é dado em troca de muita mulher pelada sambando e alegrando a nação de idiotas, afirmando que mulatas só servem para isso mesmo, e só se encaixam na rede em fevereiro, e fim.



Nos outros meses, a globo escolhe negros que ocupam a classe dos capatazes brancos, usando a nossa própria raça como nosso dominador, divindo a raça em: pretos bem sucedidos que aparecem em horário nobre vestindo um guarda-pó, e pretos favelados que aparecem na ridícula série Falcão do Fantástico. Babacas!
A indústria nos banaliza de propagandas limpas e construtivas, mas se jogam aos nossos pés quando o assunto é sensualizar, mostrar tudo e rebolar.
Até quando a mulher negra será a sub-mulher? Até quando nossos corpos serão mais importantes do que a nossa inteligência? Até quando o brilho dos paetes irão ofuscar o nosso brilho próprio?
Já faz um bom tempo que deixei de assistir a rede globo, conforme amadureci meus ideais e minha identidade negra, fui percebendo detalhes sutis em séries e novelas que tratavam negras como objeto sexual, ou favelada, pobre, drogada e gananciosa.
Via ótimas atrizes negras, cheias de competência, se expondo a papéis ridículos e humilhantes e se tornando coniventes com a visão implantada pela globo sobre mulheres negras...aceitar esse tipo de papel é aceitar que negras devem continuar na cozinha, na roça, nas favelas ou expondo seus corpos no carnaval. 
Eu poderia citar centenas de personagens humilhantes apresentadas pela globo através de atrizes negras, mas acho desnecessário, afinal, todos nós vemos claramente isso a cada série como Subúrbia e etc. 





Está na hora de mudarmos a visão sobre nós mesmas, não aceitarmos o que a indústria joga em cima de nós, chega! Estamos dando pequenos passos em direção a liberdade, o movimento de transição capilar é uma prova disso, mulheres negras se aceitando, e encontrando em si suas próprias raízes e valores, acho lindo ver uma negra de black, nem esquentando pros padrões, apenas se achando mais linda a cada reflexo nas vitrines, e nos olhos das pessoas que as encaram.
É lógico que a indústria não se opôs contra a nossa libertação da chapinha, mas correu para fingir estar do nosso lado, e que black é lindo...mas eles não precisam nos dizer isso agora, aprendemos sozinhas enquanto eles nos oprimiam com padrões de "lisisse" extrema não é?!
Bom, o caminho está traçado, só precisamos seguir, a liberdade vem quando não aceitamos a condição, somos capazes, somos fortes, levamos esse país nas costas e não podemos nos colocar como mero objeto sexual, porque não somos isso.
Desejo que cada mulher negra se assuma, se aceite e se ame. Que encontre a sua identidade além do que os outros dizem, e que sejamos mais do que o esperado.
Chega dessa patifaria, se querem fazer do Brasil um prostíbulo vestido de festa que excluam a ideia de que negras são a cara do carnaval, porque nossa cara está bem longe de ser reflexo dessa máfia e podridão que é o carnaval.
Que sejamos fortes e guerreiras como Angela Davis, e que os modos do nosso país não nos façam mulheres omissas, mas que com convicção, coragem e garra possamos nos auto conhecer, e não deixar que nos julguem...mas que aprendam valorizar nossa postura, não o nosso quadril.


E queridinho que me mandou sambar, bota você uma micro saia pra combinar com o tamanho do seu cérebro, rebole bem descaradamente pra combinar com a sua cara de pau e vai desfilar você, eu tenho mais o que escrever, mais o que pensar e mais o que mudar nesse país onde tantos pensam como você...por enquanto! Bye Bye Babaca!!! 

Karola, por: espírito de Angela Davis ;) kkkk






O natal se foi e a gente ainda está empanzinado de tanta comida, doces e refrigerante.
Nossa árvore ainda pisca, os presentes exalam cheirinho de novo e a noite feliz não durou nem 7 horas...E aí, me bate um tremendo arrependimento. Uma reflexão sem fim que me faz por um momento, odiar esse clima natalino.
Tanta correria, tantas compras, tanta comida, pra quê? pra quem?
E se parte do tempo, do dinheiro e da comida que você separou para o natal, fossem destinados a quem não tem motivos para comemorar?
É claro como as "luzinhas" que piscam na sua janela que a essência natalina já se foi à tempos, difícil é saber se algum dia ela já existiu, não me parece ser claro a existência e a consciência do que é (ou deveria ser ) o natal.
Sem tocarmos no assunto de que o natal é uma suposta comemoração do aniversário de Jesus, vemos o natal de uma maneira tão egoísta e prepotente onde quem possuir a maior árvore rodeada de pacotes, o peru mais gordo, a casa mais iluminada, terá também o melhor e mais feliz natal, Hô Hô Hô. 
Como se o natal se resumisse a uma noite mesquinha de presentes, mesas carregadas de comidas e fim. Vamos todos dormir felizes e empanturrados, enquanto isso, na esquina alguém revira o seu lixo atrás de uma sobra qualquer do seu banquete...
Difícil falar do que não vivo, mais muito fácil falar do que observo e faço questão de mudar em minímas atitudes. Sem hipocrisia, sem cinismo, sabemos o que se passa fora da nossa zona de conforto, só não queremos ver.
Infelizmente o capitalismo estragou o natal e qualquer outra data comemorativa, e o primeiro pensamento sempre é: "O que vou dar de presente?" "Preciso de uma roupa nova para a ocasião!" e outros pensamentos implantados em mim e em você, de forma que nos leva a pensar unicamente no nosso momento, na nossa felicidade e na das pessoas que a gente ama.
Mas não é assim. Pelo menos, não deveria ser.
Nesse natal vi de perto várias famílias que não passaram noites felizes, e que não tinham embrulhos bonitos embaixo da árvore, não tinham sequer um peru ou uma mesa para enfeitar.
Nesse natal quando vi os sorrisos iluminados dos meus, pensei nas lágrimas dos que não tinham motivo pra sorrir. Senti um pouco de vergonha por isso.
Não precisamos olhar longe para ver alguém necessitado de uma blusa, um brinquedo que você não brinca mais, uma cesta básica ou um panettone.
Sinceramente, eu não desejo que o natal deixe de ser natal, eu desejo inocentemente, do fundo do meu coração que o nosso natal, seja o natal de todos, a noite feliz de verdade, não a noite feliz da Globo.
O natal se foi, mas o espírito não se apaga junto com as luzes, ele permanece aceso dentro o coração de quem está disposto a olhar a dor do outro, a dividir, e a multiplicar sorrisos.
Faça algo, adote uma cartinha, adote uma família para doar algo mensalmente, ajude aquela pessoa que precisa de um emprego à arrumar um, pague um almoço para aquela tiazinha que pede moedas...mas faça alguma coisa por favor!!!
Que não sejamos enganados pelas mensagens forjadas da Coca cola, nem pelas músicas de paz da Globo, que a Bauducco não nos engane com a tal felicidade para todos, que as empresas não tape os seus olhos para fingir que está tudo lindo e todos estão felizes, porque não estão. Abra os seus olhos e enxergue quem precisa da sua ajuda. Um novo ano vai surgir e eu desejo que as pessoas procurem por quem precisa, olhe para quem é ignorado, o egoísmo e o ego do ser humano já chegou no ápice, precisamos fazer o caminho de volta, encontrar o verdadeiro sentido de todas as datas comemorativas...chega de blá blá blá em campanhas bonitinhas e vamos atacar com ação.
E acredite, o bom velhinho não morreu, ele está ocupado demais olhando pelos necessitados. (Sl. 127.2) ;)

Beijokas, Karola :*





Olá pessoal, bom, hoje tive um tempinho livre e decidi escrever algo um pouco diferente do que estou acostumada a passar para cá... creio que todos vocês gostem de ler, afinal, estão lendo nesse exato momento, por isso se estiquem até a livraria mais próxima e comprem esses dois livros que eu irei revelar a vocês...podem usar o dinheiro do cofrinho sem medo, vocês não irão se arrepender :)

PRECIOSA - Sapphire

O primeiro, é aquele livro que enquanto você lê, o fecha várias vezes para conseguir tomar fôlego para as próximas linhas...é um livro chocante e emocionante, que faz rir mas faz chorar também.
É baseado em uma história real, de uma menina, Claireece Precious, crescida no Harlem, subúrbio de Nova York, estrupada pelo próprio pai, se vê grávida, sem saber ler nem escrever, considerada empregada pela própria mãe não vê um futuro muito animador à sua frente, até que as coisas começam mudar.
Nessa história em que o desfecho esperado é pura dor e vergonha, acontece que a força de vontade de uma menina, e a fé de uma professora, as faz escrever um novo desfecho, com um final não muito feliz, mas extremamente vitorioso.
Um livro inspirador. Encantador. Maravilhoso!
Meninos, não pensem que o livro é de mulherzinha, é uma história forte, emocionante e real, e nem um pouco frufruzinho ok?!
Ahh, e tem o filme também, porém, nunca, jamais, em hipótese alguma assista o filme antes de ler o livro, porque como vocês devem imaginar, o filme é péssimo, como a maioria das releituras dos livros. 
Por isso, me escutem ok ;)
Sou suspeita pra falar, afinal, eu o considero um dos melhores livros que li no ano.
Comprei na Lojas Americanas e paguei R$ 21,00.





Notas sobre Gaza - Joe Sacco

E o segundo, aiii, esse livro é épico, único e incrível.
Se você, assim como eu, não entende nada sobre a guerra constante na Faixa de Gaza então meu amigo (a), você PRECISA ler esse livro.
Primeiro porque ele tem uma linguagem leve e informal, o autor leva o livro todo como se fosse a sua avó contando uma história pra você, é tão fácil de entender que você consegue gravar toda a história sem dificuldade nenhuma (não foi muito o meu caso porque tenho memória de 2 kbps e olhe lá).
O autor, Joe Sacco, esteve em Gaza, e contou tudo aquilo que os jornais não nos contam, mostrando a realidade de uma região devastada pelo conflito entre palestinos e israelenses, que já dura à décadas.
Bom, além de toda explicação clara e direta do autor, o livro é todo em quadrinhos, isso mesmo, em Q U A D R I N H O S. Eu, particularmente achei os desenhos incríveis e muito expressivos, o que ajuda muito na visualização da realidade dos palestinos.
Um livro que eu jamais irei esquecer, abriu meu entendimento e me fez ver os conflitos de Gaza com um olhar mais humano, entendendo todo o contexto dos ataques.
Por esse motivo, você tem que ler esse livro! Ele é incrível!
Esse peguei emprestado de um amigo meu, e foi muito difícil de convence-lo a me emprestar, por isso tenho que devolver amanhã :( maaas se não fosse por isso, leria uma vez para entender e a outra só para poder observar os detalhes nos desenhos que me deixaram boquiaberta.
Encontrei ele na Livraria Cultura por R$ 56,00, vale muito a pena comprá-lo, eu adoraria ganhá-lo de natal (espero que meu amigo esteja lendo isso) kkkkkkk 
Tive que tirar algumas fotos pra postar pra vocês, não resisti :B






Então é isso pessoal, dois livros pra você colocar no topo da sua lista de compras hein.
Espero que gostem tanto quanto eu gostei :)

Beijokas.

Karola


Oiiii maninhas :)
Bom, como sempre sumi por um tempo, a correria me impediu de atualizar o blog, maaas hoje reservei um tempinho pra poder mostrar pra vocês uma hidratação (que também pode ser usada na etapa da nutrição) que fará dos seus cachos, cachos selados, macios e tão fechadinhos que parecerão feitos por bigudim :p
A receita é meio estranha, mas  não fiquem com nojinho ein, coloquem a mão na massa e vamos lá.
Você vai precisar de:


1 banana
1 colher de sopa de mel
1 colher de sopa de leite de coco
1 colher de sopa de azeite (nesse caso, não precisa necessariamente ser extra virgem tá)

O mel serve para selar as cutículas do cabelo, o leite de coco reduz o frizz, o azeite de oliva é fortificante e rejuvenescedor e ao mesmo tempo hidrata e repõe as vitaminas do cabelo, e a Nánãna é rica em vitaminas e age diretamente no ressecamento dos fios.
Ai você pensa, todos esses benefícios juntos alimentando o seu cabelinho, com certeza você também terá um resultado incrível :)
Separado os ingredientes pra alimentar seu cabelo bata tudo no liquidificador até virar uma papinha mole.
Meninas, prestem muita atenção, não deixem de bater no liquidificador pois se vocês só amassarem a banana ela ficará com pedaços e isso engrunhará seu cabelo ok?!

a misturinha deve ter essa consistência de papinha mole
 Eu preferi lavar o cabelo antes de passar essa mistura, lavei com um shampoo transparente da Seda e depois passei essa misturinha, deixei no cabelo por 3 horas e  lavei com shampoo leitoso da Johnson's, usei a máscara MARAVILHOSA (ela é incrível meninas, procurem, eu achei na Lojas Americanas) da Novex Óleo de Macadâmia, e pra finalizar o condicionador Pantene Expert AgeDefy.
Antes mesmo de finalizar com o leave-in os meus cachos ficaram SUUUUPER definidos.


Vejam a definição antes de finalizar com leave-in *-*
Depois finalizei com três produtinhos maravilhosos: 


Não tenho paciência para fazer fitagem, por isso só passei o óleo com o cabelo ainda úmido e depois os dois cremes juntos.
Bom meninas, nem preciso dizer que meu cabelo ficou lindo, macio e hiper definido né?!

E aqui esta o meu day after (dia após a hidratação):


Atrás esta meio frisado porque eu estava de capacete :(
Espero que vocês façam e gostem o quanto eu gostei, meu cabelo amou essa hidratação, façam e depois me contem hein.
Mil beijos maninhas, e uma ótima semana pra vocês s2

Karola



Enfim, o dia da consciência negra...tanto se vê nas redes sociais as críticas de que esse dia é desnecessário, que dia de consciência são todos os dias, que não é preciso um dia para se lembrar de toda nossa história, mas você só se aprofunda na história no dia 20 né?
Será que o dia 20, marcado pela morte do líder Zumbi em 1695, não serve também para conscientizar os próprios negros da sua própria história?
"Pow Karol, você tá dizendo bobeira, lógico que nós não nos esquecemos da nossa história", então tá, pois então me respondam, quantos dias no ano você se dedica a observar a quantidade de negros no seu bairro, no seu trabalho, na sua escola ou faculdade? você se importa se tenha poucos, ou nenhum além de você? E me diga, quantos dias no ano você lê algo sobre a história dos seus ascendentes? E mais, quantos dias do ano você é negro? e quantos você é "branco"? Você só se lembra da sua negritude no dia 20?
Eu sei, eu sei...a sociedade impõe diariamente a nossa "branquelização" e abdicação das nossas raízes, julgam nossa cultura como errada, feia, suja, e marginalizada sem se lembrar que foi essa mesma cultura que endossou a cultura brasileira.
51% ou mais da população brasileira é negra ou parda, 51% tem no sangue a luta e a resistência, 51% é oprimida diariamente com olhares duvidosos e com o racismo silencioso e sútil impregnado na estrutura do nosso país capitalista onde o preto forma a base dessa pirâmide opressora.
Então vejamos, primeiro fomos escravizados e arrancados de nossas terras, depois fomos perseguidos e caçados feito bichos, depois fomos "vomitados" nas favelas e periferias e consequentemente, altamente marginalizados e excluídos.
Hoje o país se diz não racista, de maneira alguma, aqui, isso não existe...maaaaas...é preciso criar cotas para negros conseguirem ingressar na universidade pois a educação oferecida não é o suficiente para ingressarmos sem ajuda do governo, precisamos de cota para desfilarmos...em um país onde a maioria da população é negra ou parda, 95% do corpo de modelos da indústria da moda brasileira, é formado por brancos vindos da região Sul, foi preciso dançar, gritar, se expor em pleno século XXI para que se exigisse pelo menos 10% de modelos negros (a), ou seja, nos empurram garganta abaixo com cotas, leis anti-racismo e pena para preconceito. Acho tudo isso, um absurdo imensurável, porque em um país onde não há racismo, isso tudo não seria necessário.



Eu tenho um sonho! Sonho com um país que não use apenas atitudes de reparação, e sim de transformação!
Sonho com uma igualdade sem que essa seja imposta, mas que seja natural como uma forma de respeito e retribuição pelo sofrimento e dores do passado. Sonho todos os dias o sonho de Martin Luther King, mas vejo todos os dias esse sonho entrando em coma induzido.
Vejo meus sonhos distantes quando vejo o extermínio oculto do povo trabalhador, quando vejo uma comunidade inteira gritando "Cadê o Amarildo?" para que a justiça seja feita, quando vou em shoppings ou grandes supermercados e só vejo negros atrás dos balcões. Meus sonhos chegam a doer quando ouço uma criança negra dizer que seu cabelo é feio e ruim. Quando vejo crianças se entregarem ao crime em troca de alguns trocados para comprar um danone na mercearia.
E choro ao ver o governo tão irônico enganando meu povo.
É preciso mudar tanto, o caminho é tão longo porém não impossível.
Assim como construímos grandes projetos começando pela base, assim devemos começar com a mudança.
Ensine as crianças e não precisará punir os velhos.
Nesse caso, a beleza esta nos lábios dos que ensinam.
É meu, é seu dever mostrar para as crianças a verdadeira história, mostrar o valor do nosso povo nesse país, mostrarmos que fomos escravizados porque éramos um povo forte, trabalhador, donos de uma engenharia invejável e uma terra tão rica que causou vertigem em todos os povos da Terra.
Mostrar que não temos do que nos envergonhar.
Porque éramos reis, rainhas e princesas sim, que fomos Aqualtune, e que o que nos mostram é uma mentira para conter nossas forças.



É preciso mostrar as crianças a força que há em nossa raça, pois se não conhecemos nossa própria história, como podemos lutar por ela?
O dia da Consciência Negra é para gritarmos ao Brasil o valor da nossa raça.
É para mostrar as crianças que a luta já começou e que venceu várias batalhas, e que é dever delas vestirem a camisa e além de se aceitarem, lutar pelos direitos que temos no país que construímos.
Eu queria que tivessem me dito isso na minha infância, eu queria que esse dia não fosse me mostrado como vergonha, como se precisássemos dele para sermos lembrados, por isso eu digo o que é importante nesse dia, é importante que vejamos isso como uma vitória, não renuncie o que Zumbi e tantos outros lutaram para alcançar, "hoje a liberdade tá aí toda liberta, pergunto, será que a gente utiliza de forma certa?" ¹
Use a sua liberdade alcançada pelos nossos ascendentes para vangloriar esse dia e não diga que ele não é necessário, pois um troféu é sempre necessário para quem lutou por ele!!!

FELIZ DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA PARA NÓS!!!

Karol dos Palmares ;*

ref: ¹ Mais do que pegadas - Projota