Olá meninas, graças a Deus o sábado chegou e junto com ele sempre vem um post quentinho !
Esses dias uma amiga minha que tem o cabelo liso me perguntou sobre qual creme seria adequado para o cabelo a filhinha dela que tem cachinhos na caixola. Depois eu fiquei pensando comigo, realmente deve ser muito difícil para uma mamãe que tem o cabelo liso aprender a lidar com o cabelo crespo ou enrolado de seus filhos, por isso meninas e meninos, hoje os personagens principais são os babys que nasceram com caraminholas também! Só quem tem cabelo afro sabe o quanto ele exige tempo, dedicação e paciência, e se você passou via DNA cada caracol para os seus pequenos, ou então ele puxou de algum lado da sua família, você agora terá que aprender a lhe dar com os cachinhos deles também, ou seja, você precisará contar com a pequena paciência desses baixinhos que causam uma guerra épica quando se trata de cuidar os cabelos.
Nosso cabelo passa por diversas mudanças desde o nosso nascimento, sendo assim, quando falamos de cabelo de crianças temos que pensar que assim como eles, seus cabelos também estão em constante transição, entendendo e conseguindo analisar isso, você mamãe, saberá corresponder as necessidades de cada época da vida capilar do seu bebê. Os cabelos dos recém nascidos são mais finos e mais leves do que os de um adulto. Isto faz com que eles enrolem facilmente. Ao longo do tempo, a tendência é que o engrossamento dos fios torne o cabelo mais pesado, causando em alguns casos, a perda dos cachinhos e em outros, o crescimento das molinhas.
Porém se depois dos seis meses seu filhote ainda estiver com os cachinhos firmes e fortes, é hora de uma atenção especial.




LAVANDO OS BLACKIZINHOS
Os shampoos para crianças em geral prometem não arder os olhos, pois usam detergentes suaves. O cheirinho é sempre irresistível fazendo a gente querer dar aquele 'chero' no bebê de 5 em 5 minutos não é?! Pois é, mas ao escolher o shampoo que você usará no seu filho a última coisa a ser analisada é o cheiro, aliás prefira os que tenham fragrâncias mais suaves para não irritar o bebê com cheiros muito fortes, escolham sempre os que possuem ingredientes naturais, e o mais importante, que sejam hipoalergênicos. A maioria dos shampoos infantis possuem PH em torno de 7.0 que é o responsável pelo tão famoso "chega de lágrimas!" (PH das lágrimas, cerca de 7.2) por isso, se você encontrar um shampoo que é destinado ao público adulto porém possui PH neutro (7.0) você pode usar no seu baby sem medo ok?! (mas sempre analise os componentes com atenção!)
(OBS: Nós, cacheadas queremos testar tudo quanto é produto que vemos pela frente não é?! Então antes que vocês me perguntem se shampoo de bebê é bom pra cabelo de adulto eu lhes respondo: Não muito! O PH do couro cabeludo de uma criança fica em torno de 7.5 enquanto de um adulto é de 5.0, por isso o PH de shampoos infantis (7.0) tendem a abrir as cutículas dos cabelos de adultos, e com o uso contínuo esse shampoo poderá causar um efeito espiga de milho no seu cabelo. Por isso, shampoo do baby é shampoo do baby ok cacheadas?! kkkk)
Voltando a cena, para lavar os cabelos dos pequenos use cerca de uma moeda de um centavo (é bem pouco meeesmo hein!!!)  faça massagens bem de levinho pois os fios ainda são fininhos e movimentos exagerados podem causar a quebra dos cabelos. Não é necessário lavar com shampoo mais de uma vez.
Depois disso você pode optar por usar um condicionador ou não. Como eu disse, é necessário estar atenta as necessidades de cada época cabeluda do seu bebê. Se você optar por usá-lo escolha um da mesma linha do shampoo e fique atenta à possíveis alergias. Abaixo alguns dos produtos mais acessíveis e eficientes que eu conheço.



Conforme você for lavando os cabelinhos vá aos poucos, e sem que eles percebam, caso contrário você estará perdida num mar de choramingos porque está doendo kkk, desembarace os cabelos com os dedos sempre começando das pontas para não embolar e formar nózinhos. Seque com uma toalha ou fralda de algodão, e para os mais mocinhos e mocinhas, utilize um leave-in bem emoliente. Uma dica legal é separar o cabelo em quatro partes e ir espalhando o creme com os dedos, a famosa fitagem! Tratando-se de crianças talvez você precise secar os cabelinhos antes de sair arrasando com o seu filhote ou filhota por aí, para isso depois de aplicado o creme de pentear use uma fralda de algodão novamente (tem que estar seca) para tirar o excesso, eu não acho legal usar o difusor em crianças, mas se for uma necessidade extrema use-o na potência miníma pelo amor de Deus mulher!!! E mais, prender o cabelo molhado é pedido de morte capilar declarada e assinada. Não prendam os cabelinhos dos seus filhos. Cabelo molhado e preso é sinônimo de cabelo fraco, quebrado e sem forma. Se quiser prender o cabelo para levá-los à escolinha prendam depois de seco ou usem uma trança solta para que o cabelo consiga respirar. Ninguém merece ficar com o cabelo cheirando mofo hein, não façam isso com os babys!!! 
Se por acaso, sua filha é uma menina, você com certeza está doida para enche-la de laços, flores, grampos e tiaras...mas vá com calma mamys, espere até que sua princesa fique mais mocinha para isso. Como eu disse, os fios são tão fininhos e esses apetrechos podem causar pequenas fricções no couro cabeludo ocasionando assim, a queda dos fios. Por isso deixe para enfeitá-la nos dias mais especiais e opte por presilhas tic tac ao invés de grampos, flores em faixas de pano, ou seja, os acessórios menos agressivos possíveis.
E para os meninos, nada de bonés, o efeito é o mesmo de cabelo preso... éca! 

SEJA COMPREENSÍVEL COM A VAIDADE DOS PEQUENOS
Hoje em dia as crianças já vem com opinião própria de fábrica, uma coisinha de louco mas elas já escolhem suas próprias roupas e sapatos desde muito novinhas, o que em partes é muito bom pois colabora para a independência e formação de personalidade da criança. Por isso com o cabelo não seria diferente.
Deixe seus filhos inovarem nos penteados. Cabelo cacheado é uma delicia para criar. Você joga pra um lado e pro outro e de repente tem um penteado super descolado e único, se é gostoso pra gente imagine que máximo não é para eles ! Permita que seus filhos criem seus próprios penteados, incentive eles a brincarem com o cabelo, a tocarem para sentir a textura, o tamanho e assim aprender a lidar com todo o volume desde pequeninos. Penteados fáceis como Twist (separe uma mecha de cabelo e enrole desde a raíz até as pontas, prenda com uma presilha e pronto!), tranças soltas e tantos outros que farão despertar nos seus filhotes uma vaidade saudável, ajude eles a criarem e tire muitas fotos para que eles fiquem todo pomposos kkkk


Bom, e depois desse ritual com os cachinhos dos seus bebês, eu desejo a vocês amigas, coragem para conseguir enfim arrumar os seus próprios cachinhos kkkk É cansativo, exige tempo e dedicação, mas é gratificante, eu juro!
E mais, é importantíssimo que você mamãe, envolva sua filha nesse cuidado com os cabelos dela, sabemos que há muita vergonha enrolada nos cabelos das mulheres negras que não se aceitam, e esse amor próprio, esse ato de amar seu próprio cabelo e gostar tanto de cuidar dele ao ponto de se tornar um ritual pessoal só vem com o auto conhecimento que deve ser adquirido desde a infância. Eu não tenho filha ainda mas penso que quando eu tiver quero que ela ame seu cabelo do modo como eu não amei quando era criança. Eu não quero que ela o veja como um fardo desagradável, não quero que a repressão de hierarquias artificiais que resultam no racismo estrutural à sufoque e faça-a cativa dos padrões, mas quero capacitá-la a compreender o seu valor e o valor de suas raízes acima do que a sociedade diz sobre sua raça e seu cabelo. Pessoalmente, não quero criar uma filha que tenha que sentir queimaduras de chapinhas e de químicas, que seja escrava da escova ou do que for para que outras pessoas possam considerá-la 'respeitável e aceitável' através de uma ótica da "negritude adequada ao modo social". Não! quero que através de seus cabelos ela possa expressar sem o uso de palavras sua liberdade, seu amor próprio e que isso sim, seja uma negritude adequada não ao social, mas a ela própria.



Só quem passou por terríveis situações de baixa auto estima sabe a importância do amadurecimento dos próprios ideais que culminam em nós o amor por essas raízes tão fortes que brotam nos nossos couros cabeludos. E isso tem que ser passado para nossas crianças também, pois elas crescem rodeadas de desenhos, brinquedos e tantas outras coisas que visam o embranquecimento da raça, de modo que nossas pequenas/os percam sua identidade negra por não se verem nos desenhos de princesas, em desenhos de heróis, em bonecas, etc. Isso é muito sério e gera aos poucos ideias que vão sendo concebidas por elas mesmas como "meu cabelo é feio porque não é igual da Barbie!" graças ao contato com essa realidade.



Esses dias uma amiga me contou sobre uma situação muito triste que aconteceu com a filhinha dela na escola, uma outra mãe tirou sarro do black da princesinha da minha amiga e isso gerou na pequena várias interrogações a respeito da beleza de seus cachinhos, e porque ela não podia fazer chapinha e ter um cabelo liso também. Isso é triste, e essa maldade vinda de adultos ou dos próprios amiguinhos infelizmente pode acontecer com o seus pequenos também, nesses momentos você precisa agir como ela agiu, converse com a sua filha/o, mostre com elogios o quanto o cabelo dela é lindo e único e a faça entender que algumas opiniões são descartáveis, É importante afirmar a auto estima da criança ainda na infância para que mais tarde isso não a afete de forma mais entristecedora. O amor e o diálogo são sempre os melhores caminhos para esses casos de choque com o mundo.
Tem um livro que eu estou 'in love' e louca para comprar. O livro fala de uma forma muito gostosa e descontraída sobre essa atitude que é assumir o cabelo natural ainda na infância. 
O livro se chama O Mundo no Black Power de Tayó 


Tayó é uma menina negra que tem orgulho do cabelo crespo com penteado black power, enfeitando-o das mais diversas formas. A autora, Kiusam de Oliveira,  apresenta uma personagem cheia de autoestima, capaz de enfrentar as agressões dos colegas de classe, que dizem que seu cabelo é 'ruim'.
" [...] Mas como pode ser ruim um cabelo 'fofo, lindo e cheiroso'? Vocês estão com dor de cotovelo porque não podem carregar o mundo nos cabelos", responde a garota para os colegas. Com essa narrativa, a autora transforma o enorme cabelo crespo de Tayó numa metáfora para a riqueza cultural de um povo e para a riqueza da imaginação de uma menina. O nome Tayó, que vem do idioma africano ioruba e significa “da alegria”, espelha a forma como a garota se relaciona com todos a sua volta e com suas raízes ancestrais. Vencedora do Prêmio ProAC de Cultura Negra em 2012, a obra traz uma bela mensagem de valorização de nossas raízes culturais.
O Livro parece ser lindooo não é meninas? Prometo que assim que eu comprá-lo divido a história com vocês tabom :)


Enfim amigas, aprecie muitooo todas as etapas dos seus filhos. Saiba que o seu filho cresce, o mesmo acontece com o seu cabelo. Abrace os momentos, , se descabele sempre, mas que seja de tanta bagunça na sala inundada de risadinhas e cósquinhas. Tire muitas fotos para que eles possam desfrutar de suas muitas fases de cabelo (que com certeza virão, se prepare!) anos depois. Seja mamãe, amiga, e cerque seus filhos de amor e carinho, pois esse é o melhor caminho para criar uma criança que mais tarde será um adulto ciente de si próprio e feliz com quem ele/a realmente é. 



Um beijo de uma irmãe que ainda não tem filho, mas que é apaixonada pelos cachinhos de seu irmão Leonardinho :*




"Um dia estava no metrô quando uma mulher jovem, negra que estava sentada ao meu lado virou para mim espontaneamente e perguntou:
- Como você fez para deixar seu cabelo assim?
Ela se referia as madeixas crespas que formavam meu cabelo estilo ‘black’ que por cerca de quatro anos tenho cultivado.
E continuou:
- Nossa, eu acho lindo, mas não tenho coragem. Você me entende?
E como eu entendo! Ao olhar para aquela mulher eu me via, me ouvia. Eram ecos de um discurso que há uns bons anos atrás também me constituía. O que aquela pergunta me fazia recordar era sobre meu processo de transformação. A visão que tive foi como uma fotografia do antes e depois. Naquele instante, ao mesmo tempo que olhava para ela, me perguntava o que afinal eu fui fazendo para mudar? Ou melhor, por que eu quis mudar?
Simples. Bem, na verdade, não foi tão simples assim. A primeira coisa que fiz, foi ir provocando a modificar o meu olhar sobre o mundo. E assim ir aprendendo sobre os sentidos daqueles cabelos “esquisitos”, “pra cima”, “ desarrumados”. Com este olhar em transformação comecei a perceber que poucas propagandas, produtos, modelos realmente representavam minha estética natural. Eu não me encaixava naquele padrão liso, loiro…etc e talz. E neste processo, me conhecendo melhor, não estava querendo mais me adaptar a estes moldes impostos. Desta maneira, ao invés de entrar desesperada num salão, um dia parei, pensei e fiz diferente. Intuo que foi uma vontade forte de tentar fazer de outra forma. De não me sentir mais presa a um compromisso com a cadeira do salão, com aquele bafo quente do secador, com as feridas no couro cabeludo provocadas pela química forte, com os rios de dinheiro que iam embora todo mês para “arrumar” meu cabelo. Enfim, ao invés de passar por tudo isso mais uma vez, optei por observar outras pessoas que se pareciam comigo. Pessoas que ao invés de esconderem suas características próprias, buscavam conhecê-las.
Neste processo gradual “bati muita cabeça”, mas também muitos papos com gente interessante e interessada que já tinha mais experiência que eu.  Fui em busca de conhecimento mesmo! No início, desafiei-me a deixar meus “pés na África”, minhas raízes, crescerem um pouquinho só. Cada vez com menos química. Até então, eu nunca tive a possibilidade de conhecê-las de verdade. A partir daí, quando tocava minha “nova” cabeça percebia que meus cachinhos eram pequeninos, fininhos, sensíveis. Aqui parece lúdico, mas na prática o começo não foi moleza não! Tive  nervoso, medo, não sabia como cuidar. Parecia que eu não era mais a mesma, não me reconhecia. Achava que as pessoas não iam mais gostar de mim. Os homens então, ih!… esses não iam me querer mesmo!  Mas, com o tempo, sempre aos poucos, meu olhar e minha sensibilidade novamente se transformaram.  Fui percebendo que meus cabelos tinham elasticidade, eram fortes (apesar de bem sensíveis), com uma cor em tom castanho escuro bem definido. Eram as minhas molinhas!!!  A partir deste estado de fofura e compreensão, as coisas realmente começaram a mudar na minha estética. Muitas águas rolaram.  Mas me mantive sempre em busca de conhecimento, de informação, de conversar com pessoas amigas que entendiam do assunto. No desafio constante de criar novas referências. Uma nova identidade.
Aos poucos comecei a perceber que o olhar das pessoas para mim era realmente outro. Meu cabelo novo começava a gerar curiosidade. E através desta “mera” curiosidade, ou interesse, eu começava a ganhar a oportunidade de expressar meus pensamentos sobre uma experiência que muitas mulheres negras vivenciam cotidianamente ao acordar e se olharem no espelho: o que faço com este meu cabelo que não gosto?
Voltando a cena no metrô. Contei para aquela mulher jovem, negra, o que eu tinha feito para ‘deixar meu cabelo assim…’, ou seja, crespo, natural, solto. Contei a ela com um pouco mais de detalhes o que compartilhei com vocês agora. Deu tempo da estação dela chegar, nos despedirmos e ela ir embora com a cabeça cheia de pensamentos sobre o que tinha acabado de ouvir. Nunca mais a vi. Foi realmente um único e inesperado encontro, curto, mas intenso. Que me fez reencontrar comigo mesma em tempos diferentes numa conversa aparentemente trivial sobre cabelos. Aparentemente, porque a partir daquele instante, percebi que meu cabelo tinha se transformado novamente. Ele tinha virado política."



Sabemos que o racismo é um mal enraizado no pensamento de pessoas que simplesmente ignoram a condição igualitária de seus irmãos. E a maioria de nós, negras, mulatas ou 'pardas' como preferem nos intitular, já passamos de alguma forma por momentos em que a cor da nossa pele foi motivo de olhares desconfiados ou de cunho sexual, sabemos que a divisão começa na cor da nossa pele. Mas e se todos fossemos daltônicos (pessoas não conseguem diferenciar cores)? Ou então, e se a cor da nossa pele mudasse ao longo da vida? Essa experiência é possível e real. 
Apresento a vocês uma linda gata malhada, negra por nascença, branca devido à uma doença, Chantelle Brown-Young, conhecida no como Winnie Harlow, é uma modelo canadense de 19 anos  nasceu com vitiligo.
 Aos quatro anos de idade, a modelo foi diagnosticada com vitiligo, uma doença que provoca a morte das células responsáveis pela pigmentação da pele. A partir daí, a luta diária contra o bullying na vida de Winnie começou.  "À medida que fui crescendo foi ficando mais complicado. Quanto mais velhas são as crianças, mais cruéis se tornam com o que lhes é diferente. Sofri muito quando me chamavam de zebra, vaca e pinguim",comentou em uma entrevista.
Mais tarde a modelo chegou a tentar suicídio ainda na adolescência. Deslocada Winnie não conseguia se encaixar no grupinho das negras por ser levemente esbranquiçada e não se encaixava no grupo das brancas por ser meio amarronzada. Foi necessário anos de enfrentamento com o espelho para que enfim ela se aceitasse e enxergasse em si uma beleza incomparável. Então a gata decidiu não só abraçar sua condição como mostrar ao mundo que existe algo muito além da cor da pele, e que isso é apenas um detalhe para dar cor à humanidade. Hoje Winnie é a candidata mais popular - e querida - da nova temporada do programa “America’s Next Top Model” e se define como a “modelo porta-voz do vitiligo”. No Instagram dela, @Winnieharlow, podemos ver o quanto ela é única e sua beleza é estonteante, tornando-a um diamante único para o mundo da moda.
 As pessoas precisam entender que não existe nada de diferente em relação a nós [pessoas com vitiligo]. Tem gente que têm a pele negra e tem gente que tem a pele branca. Eu simplesmente tenho as duas
[PS: Meninas não encontrei um vídeo com legenda, sorry :( mas vale a pena assistir e ver o quanto ela é realmente linda e radiante conseguindo falar sobre o assunto sem receio algum, esbanjando auto estima e atitude!]

Winnie não é a primeira nem a última negra a passar por essa situação inusitada que é o vitiligo, imagino que seja como que se você usasse uma 'roupa' que os outros abominam, e de repente acorda com uma 'roupa' mais aceitável aos olhos alheios, mas ai começa à passar por um outro tipo de preconceito, agora por você ser completamente diferente do comum.



Acredito que o negro mais famoso e que graças a doença se tornou inesquecível tenha sido Michael Jackson. Michael nasceu negro, filho de pais negros, e graças ao vitiligo se viu perdido e em crise de identidade, e como sabemos, desencadeou uma busca incessante por auto afirmação física ao ponto de se perder totalmente de quem ele realmente era. Acredito piamente que se a aceitação do público fosse melhor, Michael nunca teria se auto mutilado tanto em busca de ser apenas um branco, ou negro. O que a indústria e o preconceito do mundo fez com ele foi uma violência maior do que escravizá-lo, fizeram que ele mesmo abdicasse da rua raça cada vez mais, até o ponto de se esquecer e fazer os outros esquecerem que um dia ele foi negro. Ele poderia simplesmente ter sido os dois, e não deveria existir problemas quanto a isso.
Aqui no Brasil temos o Rappin Hood, rapper, ativista, compositor que sofre de vitiligo, o que aliás, lhe deu uma marca que tornou seus olhos inconfundíveis. Rappin Hood é negro e mesmo que um dia toda sua pele fique branca, tenho certeza que a luta e a resistência se manterá viva, o racismo ultrapassa as cores de nossa pele, ele define o que é nariz de preto, lábios de preto, bunda de preta e cabelo de preto. 
É preciso enfim entender que somos humanos, cada um provido de características próprias, as vezes se dividindo em grupos, outras, em cores mas nunca em espécies diferentes. Somos o que somos por baixo da pele, e segregar pela mesma é burrice, pois um dia ou outro, de repente, você pode acordar com uma 'roupa' diferente!






















Oi meninas, bom, quem me conhece sabe que eu faço a louca dos cremes de pentear e nunca medi esforços para achar um que tivesse um custo x benefício válido, e eu sou do tipo que já testou de tudo no cabelo, desde receitas da vovó até cremes importados, alguns me deram ótimos resultados, porém o custo fugia totalmente ao meu pequenino bolso, por isso estava sempre fuçando pelas prateleiras e sites da vida em busca do creme de pentear perfeito, que fosse hidratante pois o meu cabelo é tipo um deserto do Saara, que não deixasse aquele efeito "durinho e molhado" como se fosse gel, porque para mim esse efeito era UÓ! E que finalmente se encaixasse no meu bolsinho de trabalhadora...pois eis que surge um milagre!!!
Exatamente meninas, um MILAGRÃO! Digo um milagrão porque não é todo dia que a gente compra milagres por aí e melhor ainda...em potes de 1Kg !!!! hahaha
Estou falando do creme de pentear Milagre da Lola Cosmetics.
A Lola me parece uma empresa nova comparada à tantas outras que já estamos habituadas a ver pelas prateleiras das perfumarias, é uma empresa brasileiríssima e que chegou no mercado para revolucionar o jeito de cuidar das madeixas e conquistar o coração, digo, os cabelos, das loucas por produtinhos como eu. 
Pois bem, além de embalagens lindas que enchem nossos olhinhos de meninas e textos motivadores e super extrovertidos a Lola conseguiu casar qualidade e bom gosto, ou seja, a marca é tudo de bom!  É óbvio que eu, uma consumidora compulsiva desconfiei muuuuito de tanto merchan para um "simples" creme de pentear...mas isso durou só até ele chegar.


 À ESPERA DO MILAGRE
Quando finalmente consegui encontrar o produto que me deixou apaixonada e louca para comprar logo, fucei nessa internetê todinha pra ver se eu encontrava o bendito site. Mas não demorou muito para que eu me deparasse com o preço...OH MY GOD! pensei eu! O preço era o mesmo dos tais gringos que eu queria distância...me decepcionei com o preço, fechei a janela e fui dormir sonhando com um milagre na minha conta bancária kkkk
Depois, insistente como sou, encontrei uma loja distribuidora de produtos Lola no facebook a Dermabox, descobri mais tarde que a Lola trabalha com distribuidores por isso meninas, podem confiar ok?! Pois bem, decidi saber mais sobre o produtinho dos sonhos...me deparei então com a informação de que o pote na verdade era de 1KG! UM QUILO, É ISSO MESMO PRODUÇÃO? Aiii que badalooo!
Fiquei super feliz porque pelo tanto de creme que eu uso no meu cabelo, 1Kg pelo preço que estava era quase um sonho. Pedi meu Milagre e eles postaram logo no dia seguinte antes do fim da tarde, o que me deixou muito feliz e mais confiante afinal, eu ainda estava com medo pois não conhecia muito a marca, mas a compra foi muito segura e o produto chegou super rápido e lacradinho.


UM MORTO RESSUSCITOU GRAÇAS A UM MILAGRE
Meu primeiro contato com o creme foi um amor. Fiquei um tempão olhando a embalagem e observando a forma criativa que a Lola usou para descrevê-lo, e o cheirinho...ahhh o cheirinho!
É um doce bem suave, de maneira alguma lembra um doce enjoativo, é mais puxado pro frutal fresquinho, tem um cheirinho muito muito muitoo bom de menina moça sabe?! e o cheirinho dura o dia inteiro viu, é quase um perfume capilar :) A consistência dele não é nem molenga tipo o Yamasterol e nem grossa como um creme de hidratar, é uma consistência perfeita para aplicar nos cabelos sem melecar muito, não é tão grosso ao ponto de deixar aquele aspecto branco (que é UÓóó) e nem tão fino ao ponto de deixar o cabelo com aspecto de "quero mais creme sua dona mão de vaca", sem exageros meninas, ele é perfeito também nesse quesito aplicação. E sua composição...ahhh a sua composição é puro amor e de pirar as cacheadas.  Ele possui óleo de coco, baunilha, frutas cítricas e óleo de benjoim doce, ou seja, tem Vitamina E e C, ajuda na cicatrização do couro cabeludo (vou falar disso para as meninas que usam muito capacete como eu em outro texto, aguardem!), mantem a água no fio do cabelo mantendo a hidratação natural, e ajuda a alinhar os fios deixando seu cabelo pura purpurina gata ;) 
Primeiro usei ele como creme de hidratação (ele pode ser usado como você preferir) depois do shampoo e depois finalizei como creme de pentear, e eu nunca tinha experimentado algo parecido. Até aquele dia o melhor creme de hidratação que eu havia experimentado era o da Aussie 3 Minute Miracle porém como dizem que Deus é brasileiro o Milagre daqui foi muuuuito, mais muito melhor do que o dos States. Sem exageros meninas, o Aussie é muito bom, mas para o meu cabelo o Milagre foi maravilhoso. 
Meus cabelos que estavam tão secos, mortinhos e esturricados derreteram quando eu apliquei o Milagreixon e na hora de finalizar decidi não usar nem mesmo os óleos que uso normalmente, usei ele puro e fui fazendo fitagem com os dedos, mais nada muito delicado, eu estava esperando do creme um bom resultado e não da técnica de aplicação...Pois bem, eu duvidei e o resultado apareceu.
Com outros cremes, depois de seco meu cabelo começava frisar tanto que parecia que tinha um imã por cima deles...mas quando eu usei o Milagre mesmo depois de seco o frizz era quase 0%.  Eu uso capacete todos os dias e o meu cabelo ficava todo estranho e sem forma mas eu acho que por ter óleo de Benjoim Doce ele mantem a forma dos cachos de maneira maleável  sem forçar a barra com as molinhas entendem?! 
O Day after foi lindo e eu e o meu cabelo que outrora ouvimos dizer:  "isso ai fia, só por um milagre" procuramos e encontramos o tal dito cujo e agora vivemos um caso de amor com o espelho :)


E NO DIA SEGUINTEEEE....
no dia seguinte pela primeira vez entendi o amor das minhas amigas cacheadas pelo tal day after (dia após a lavagem)...pela primeira vez consegui ir trabalhar sem precisar lavar o cabelo...isso para mim gente, foi o mais incrível. Como eu saio de casa muito cedo e volto só de noite não gosto de lavar o cabelo todo dia mas eu nunca conseguia fugir do banho pela manhã devido ao excesso de frizz, pois eis que um milagre aconteceu e eu não sai na rua feito uma louca (tá, sai menos louca que o comum vai kkk)... ah e não usei absolutamente nada ok, só armei um pouco com o pente garfo e fui lindja e maravilhosa me exibir pro mundo kkkk



PAUSA: AI GENTE EU SEI QUE ESSES MEUS TROCADILHOS SOBRE MILAGRE ESTÃO  INSUPORTÁVEIS E BREGAS MAS EU 'GARREI' UM XAMEGO POR ESSE NOME QUE É IMPOSSÍVEL NÃO COMPARÁ-LO COMPULSIVAMENTE COM MILAGRES GENTENNN PERDOEM-ME VAI. KKKKK

Bom e agora vou facilitar pra vocês hein, a Distribuidora Dermabox está com um novo site, bem mais prático e bonito, então corre lá, e lógico, garanta o seu Milagre também: Dermabox Cosméticos   ahh e quem quiser pode conhecer os produtos pelo Blog da Lola também :)
E depois me contem como vocês usaram e o que acharam tá.

PS: Eu sei que escrevo muito e blá blá blá e que sou muito detalhista mas é porque desejo que vocês possam entender direitinho cada passo ok meninas, não recebo mercha de empresa nenhuma, relato apenas a minha própria experiência com produtinhos que eu mesma me arrisco a usar ok?!

Um beijo meninas, e até a próxima Caraminhola dessa Karola que vos fala.














Nada mais fugidio e elusivo do que o “momento decisivo” perseguido e fotografado por Henri Cartier-Bresson ao longo da vida – aquele que define a essência de uma situação. Não raro, esse instante se apresenta sem avisar. Com frequência, sequer é percebido por quem o captou.

Cinquenta e quatro anos atrás, um jovem fotógrafo do Arkansas Democrat conseguiu encapsular um desses momentos com sua primeira Nikon S2, máquina da era pré-digital. Carregou a máquina com um filme Kodak Plus X, ótimo para manhãs ensolaradas de final de verão, e foi cobrir o primeiro dia de aula de um grupo de estudantes negros na maior e melhor escola média de Little Rock. Esse pedaço de história ficou gravado no negativo de número 15.

Eram apenas nove os jovens negros selecionados pela direção do principal colégio da cidade, o Central High School, para cumprir a ordem judicial de integração racial no país. Segundo David Margolick, autor do recém-publicado Elizabeth and Hazel: Two Women of Little Rock (ainda inédito no Brasil), a peneira foi cautelosa. A busca se concentrou em colegiais que moravam perto da escola, tinham rendimento acadêmico ótimo, eram fortes o bastante para sobreviver à provação, dóceis o bastante para não chamar a atenção e estoicos o suficiente para não revidar a agressões. Como conjunto, também deveria ser esquálido, para minimizar a objeção dos 2 mil estudantes brancos que os afrontariam.

Assim nasceu o grupo que entraria na história dos direitos civis americanos como “Os Nove de Little Rock”. Eram todos adolescentes bem-comportados, com sólidos laços familiares, filhos de funcionários públicos e integrantes da ainda incipiente classe média negra sulista. Entre eles, a reservada Elizabeth Eckford, de 15 anos.

Os pais dos nove pioneiros foram instruídos a não acompanharem os filhos naquele 4 de setembro de 1957, pois as autoridades temiam que a presença de negros adultos inflamasse ainda mais os ânimos. Por isso, os escolhidos agruparam-se na casa de uma ativista dos direitos civis e de lá seguiram juntos para o grande teste de suas vidas. Menos Elizabeth, que não recebera o aviso para se encontrar com os demais e partiu sozinha rumo a seu destino.

e longe ela avistou a massa de alunos brancos passando desimpedidos pelo cordão de isolamento montado pela Guarda Nacional do Arkansas. Ao tentar fazer o mesmo, foi barrada por três soldados que ergueram seus rifles. Elizabeth recuou, procurou passar pela barreira de soldados em outro lugar da caminhada e a cena se repetiu. Alguém, de longe, gritou “Não a deixem entrar” e uma pequena multidão começou a se formar às suas costas. Foi quando Elizabeth se lembra de ter começado a tremer. Com a majestosa fachada da escola à sua frente, ela ainda fez uma terceira tentativa de atravessar o bloqueio em outro ponto do cordão de isolamento.

Como pano de fundo, começou a ouvir invectivas de “Vamos linchá-la!”, “Dá o fora, macaca”, “Volta pro teu lugar”, frases proferidas por vozes adultas e jovens. Atordoada, dirigiu-se a uma senhorinha branca – a mãe lhe ensinara que em caso de apuro era melhor procurar ajuda entre idosos. A senhorinha, porém, lhe cuspiu no rosto.

Como não conseguisse chegar à escola, a adolescente então tomou duas decisões: não correr (temeu cair se o fizesse) e andar um quarteirão até o ponto de ônibus mais próximo. Um aglomerado de cidadãos brancos passou a seguir cada passo seu. Imediatamente às suas costas vinha um trio de adolescentes, alunas do colégio. Entre elas, Hazel Bryan.

“Vai pra casa, negona! Volta para a Á”– clic– “frica!” Segundo o autor do livro centrado no episódio, foi este o instante em que a câmera de Will Counts captou a imagem que se tornaria histórica.

Hazel, de quinze anos e meio, não carregava qualquer livro escolar. Apenas uma bolsa e um inexplicável jornal. Ela não planejara nada para aquela manhã. Vestira-se com o esmero que era sua marca – roupas e maquiagem ousadas para uma adolescente daquela época – e arvorou-se de audácia ao ver tantos fotógrafos e soldados da Guarda Nacional. Nada além disso. O resto pode ser debitado à formação que recebera em casa – família de origem rural, ideário fundamentalista cristão, atitude racial aprendida com o pai.

 foto que correu mundo e fez a alegria da União Soviética naquele auge da Guerra Fria é tudo, menos estática. Ela fala, grita, tem vida e movimento. Mostra Elizabeth num vestido de algodão feito em casa, estalando de branco, com um fichário e um livro apertados contra o peito e medo escondido por óculos escuros. Em meio à massa de brancos que a seguem, Hazel. Olhos e sobrancelhas franzidos, a boca aberta contorcida pelo ódio e pela raiva.

Foi assim que Elizabeth e Hazel se “encontraram” sem se conhecerem. E é o que as manteve ligadas, ora contra, ora por vontade própria, por mais de cinquenta anos.

Assim como Hazel se converteu na imagem oficial da intolerância, a caminhada solitária de Elizabeth virou bandeira para toda uma geração de atletas, advogados, professores negros decididos a não recuar. Décadas depois do episódio, Bill Clinton, que governou o mesmo Arkansas nos anos 80, admitiu o quanto a foto fez com que ele acertasse seu compasso moral.

Em seu livro sobre essas duas vidas, o jornalista David Margolick responde a todas as perguntas que a foto deixa suspensas, e vai além. Editor da revista Vanity Fair, ele já havia escrito Strange Fruit – The Biography of a Song, a canção que Billie Holiday imortalizou em 1939 e que já expunha o racismo e denunciava os linchamentos de negros.

O episódio daquela manhã de 1957 levou Little Rock à combustão e convenceu o presidente Dwight Eisenhower a enviar tropas da 101ª Divisão Aerotransportada para assegurar a integração escolar decidida três anos antes pela Suprema Corte. Ironicamente, Hazel e Elizabeth jamais chegaram a se cruzar nos corredores da Central High School, pois os pais da menina branca, assustados com a repercussão da foto, preferiram trocá-la de escola. Mas “Os Nove de Little Rock”, uma vez admitidos, viveram anos de pavor. Semana após semana, foram alvo de agressões – desde cusparadas a cacos de vidro no chão do chuveiro na hora do banho. Elizabeth, primeira a ser empurrada escadaria abaixo, só teve o rosto preservado por ter usado como escudo o mesmo arquivo que segura na foto.

ali em diante, em plena era Kennedy dos anos 60, Hazel, a garota branca, seguiu seu destino. Abandonou o colégio, casou-se aos 17 anos, teve três filhos, morou em trailers, partiu de Little Rock e fez paradas temporárias em atividades tão distintas como apresentações de dança do ventre e trabalho voluntário junto a crianças carentes negras. De volta a Little Rock, despencou para perto da linha da pobreza e era vista como um fantasma a rondar o passado de violência da cidade. Decidiu então ir ao encontro de seu indesejado papel na história americana e embarcou em ações sociais e ativismo comunitário.

Elizabeth, enquanto isso, passou cinco anos servindo no Exército, mas conseguiu formar-se em história pela Universidade do Estado de Ohio. Mãe solteira de dois filhos e recorrendo ao auxílio-desemprego nos anos 80, beirou a depressão. Um de seus filhos, também depressivo, acabou sendo morto por um policial ao sair dando tiros pela rua.

Somente em 1997 as duas mulheres, então com 55 anos de idade, se encontraram de verdade. A ocasião foi um evento, com novo espocar de flashes e publicidade: o 40º aniversário da fatídica manhã de 4 de setembro de 1957. Várias décadas antes, Hazel conseguira localizar Elizabeth pela lista telefônica, tomou coragem e discou o número para pedir desculpas. Elas foram aceitas sem, contudo, entreabrir qualquer contato pessoal.

Foi por ocasião do evento comemorativo de 1997 que as duas mulheres estabeleceram um tênue laço. Participaram de um seminário sobre questões raciais, deram palestras, foram entrevistadas por Oprah Winfrey. Chegaram a cogitar escrever um livro a quatro mãos. E posaram também, desta vez lado a lado, para nova foto feita pelo mesmo Will Counts. Nela, as duas aparecem sorrindo em frente ao portal da Central High School, e a imagem acabou sendo transformada num pôster intitulado “Reconciliação”. E quando a sessão de fotos se encerrou, com ambas já fora de enquadramento, as duas mulheres iniciaram uma tentativa de amizade.


À medida que Elizabeth foi ganhando em autoestima, porém, ela voltou a tomar distância de Hazel. A bordo do cargo de oficial de justiça e agraciada com uma Medalha de Ouro do Congresso, ela foi se tornando mais exigente, mais crítica, menos disposta a oferecer perdão em nome de um final feliz. Desconfianças antigas reemergiram e quando o episódio completou meio século, em 2007, a relação tinha azedado de vez. Naquele ano, Elizabeth acusou Hazel de se esconder atrás de uma confortável amnésia sobre o incidente – ela havia descoberto que a adolescente branca mantivera contato o tempo todo com os alunos da escola que infernizaram a vida dos nove negros, e que Hazel fazia parte de um grupo organizado que os atacava fisicamente.

Hazel, por seu lado, mantém até hoje que naquela manhã de 54 anos atrás ela não pestanejou nem se sentiu mal. Para o autor de Two Women [Duas Mulheres], em momento algum ela achou ter feito algo errado. Ou inusitado. Ou que marcaria a sua vida para sempre. Ela estava apenas traduzindo o que ouvira em casa durante quinze anos.

Ambas chegam à terceira idade cansadas de dar palestras e entrevistas que apenas reavivaram ressentimentos e frustração – Hazel diz que não aguenta mais pedir desculpas; Elizabeth sustenta que sua nêmesis, no fundo, sequer sabe do que está se desculpando. “Elizabeth só então se deu conta do quanto de amargura carregava no peito, e o quanto de raiva e ódio a haviam paralisado”, escreveu Margolick. E conclui: “Ela sempre teve melhor formação e foi mais intelectualizada do que Hazel, mas Hazel acabou mais bem ajustada no seu entorno social.”

Segundo o autor, novas barreiras substituíram as antigas e o embrião de amizade acabou sendo solapado pelas mesmas fissuras e incompreensões que continuam a permear as relações raciais nos Estados Unidos. Margolick vai além do simples acompanhamento das duas mulheres idade adentro. Ele amplia a narrativa, torna-a mais complexa. As vidas entrelaçadas de Elizabeth e Hazel servem de metáfora para o país, sem soluções fáceis para um impasse moral dessa grandeza.

Elizabeth nãose dispôs a entrar na Central High School em 1957 para fazer amizades. Ela sentou nos bancos da escola segregada para quebrar as barreiras legais e institucionais que negavam aos negros americanos oportunidades iguais. Hoje, as barreiras legais não mais existem. Mas a cor da pele ainda marca bairros, igrejas, prisões e também escolas nos Estados Unidos. Em 2007, meio século depois que Elizabeth e Hazel protagonizaram o “momento decisivo” captado em foto, 40% das crianças negras americanas ainda frequentavam escolas quase totalmente segregadas.

Fonte: Revista Piaui
por Dorrit Harazim




Amanhã faço 20. Pra mim, não estou velha, nem nova, me sinto apenas, evoluindo, não em idade, mas em ciclos de vida.
Tem dias, que acordo me sentindo aos 40. Talvez por me sentir um pouco atrasada em um mundo onde tudo é tão precoce.
EU: Sem faculdade, sem carro, sem apê, seeeeeeeem CNH...Ó my God! Maldita CNH que não sai nunca. Maldita mania de procrastinar tudo, e até procrastinar a arte que é procrastinar...
Vinte anos, não fiz intercâmbio, não fiz uma viagem dos sonhos, não tive festa de 15 anos, não conheci um príncipe num cavalo branco, ainda ando de ônibus, tenho que trabalhar e me virar pra pagar minhas continhas, não sou uma super nerd que conseguirá entrar em Harvard com tudo pago (OMG) ...vivi vinte anos assim, nessa vida que me arrastou até hoje...e vocês pensam que eu estou feliz em completar mais um ano dessa mesma vida?
SIIIIIIM!!! é claro que estou. Estou feliz em ter conseguido chegar aqui, mesmo com tantas dificuldades e marés altas, a vida me dá diariamente motivos para ser grata e feliz por tudo que sou.
Não fiz intercâmbio, mas conheço minha cidade, conheço meu povo e não há lugar melhor do que a terrinha da gente, e sonho que as crianças daqui sejam aqui mesmo o que seriam se fossem pro intercâmbio. 
Quero enriquecer aqui, minhas crianças, minha cidade, meu País, não quero fugir disso e sonhar com o que os gringos já possuem..isso é besteira!
Não fiz uma viagem dos sonhos, mas a cada pequena viagem que fiz vivi lindas memórias, irmãos apertadinhos no carro cantarolando mais alto que o rádio várias canções que faziam meus pais enlouquecerem e mandarem os 3 ficarem quietos e sem rir...o que obviamente, causava risos internos que escapavam nos cantos dos lábios e nos faziam querer rir feito hienas...cada cidadezinha que parávamos se tornava ponto turístico para o melhor guia da história: MEU PAI! sempre inventando coisas engraçadas e contando histórias mirabolantes de cidades tão pacatas que até cavalo se entediaria...mas não perto do meu pai! As viagens foram poucas, mas marcantes para toda uma vida.


Não tive festa de 15 anos...mas obrigada queridos pais, obrigada por me fazerem chegar aos 15 sem filhos, com estudo, e com princípios inegociáveis,  isso me fez a mulher que sou hoje, uma festa jamais seria tão luminosa quanto o brilho que vocês lumiaram em mim.
Não fui e nem vou pra Harvard kkkk, mas pra mim nada é mais precioso do que a curiosidade e a sagacidade que descobri com cada livro que li, minha mãe sem ter doutorado foi a doutora mais eficiente da minha vida, curando meus tédios, minhas dúvidas e meus medos com doses de livros que me deram asas, me deram as mesmas asas que a doutora desenvolvera, asas feitas de palavras que nos libertam quando precisamos expressar a inundação de pensamentos que nos piram todo santo dia. Fiquei uma doida sábia, e como se sabe a sabedoria é aluna de Deus.
Não conheci um príncipe no cavalo branco...é, mas conheci alguns plebeus que me arrancaram sorrisos e lágrimas, e me fizeram amadurecer para o dia em que encontraria O plebeu que encheria meu coração dos sentimentos mais nobre que qualquer príncipe já lerá nos sonetos e poesias a temporãos, O plebeu que trouxe tanto amor, que qualquer outra exigência para um relacionamento se rendeu facilmente e o condecorou  ao mais alto escalão do meu coração. 
O mundo me criou iludida por coisas materiais, onde o ter é mais importante que o ser.
Mas hoje, me sinto orgulhosa da mulher que me tornei.
Regada pelo amor dos meus pais que me receberam quando não havia terra muito fértil para me plantar, mas plantaram, e regaram diariamente com todo amor e dedicação possível e impossível, me deixaram enfrentar tempestades para que minhas raízes ficassem mais fortes, mas sempre com as mãos prontas a me proteger. Me livraram dos espinhos, das ervas daninhas da adolescência, me firmaram em Rocha firme, e me fizeram desabrochar, e agora se enchem de alegria ao ver-me toda flor na vida.
Meus vinte anos não chegará com festas, paetês, fru-frus, mas chegará enfeitando minha alma com mais coragem, perseverança, fé, e muito amor...e sabe, acho que pra fechar com chave de ouro eu só preciso de um bolinho de fubá com chá quentinho para realmente comemorar...


Parabéns para eu, parabéns para mim :)





  Karola que escreveu sem reler, porque vive a vida sem repensar, e no texto de aniversário só quis jogar as palavras na tela e se sentir feliz, sem ter que parecer bonito ou certo, certo é escrever o que sente e por um 'the end' no final ;*

E agora, uma musiquinha pra animar MEU (Muahahaha) dia u_u kkkkk







eeeee.....THE END !!! :D





Porque associaram minha pele com a sensualidade? Porque colocam sempre uma negra como tentação para homens casados? Quem foi que disse que a minha cor é a cor do pecado? 

Hoje, me abordaram dizendo que eu deveria sair na maior escola de samba aqui de Bauru, que eu tenho "porte" e beleza ideal pra isso, e que seria o espetáculo da noite. Eu, inocentemente respondi que não gosto de carnaval, e jamais sairia em uma escola de samba por motivos pessoais.
Nessa, o cara me olha e diz: "Nossa, as mulatas de hoje não estão servindo nem pra sambar!!!". 
Virou-se e esnobou-me. Não acreditei! Fiquei boquiaberta e paralisada com tal frase recheda de arrogância e preconceito.
Senti o racismo perfurando minhas entranhas, e aquela frase impregnou meu ser me gerando um ódio inexplicável, e eu ali, parada, estática, sem poder sequer retrucar.
Engoli a seco aquelas palavras que desceram rasgando minha alma, e me senti tão impotente quanto uma escrava abusada pelo capataz, era como se aquelas palavras nojentas estivessem grudadas em mim.
Fiquei regurgitando aquela frase, e senti nojo do que a indústria e os "poderosos" fazem com a figura da mulher mulata e negra.
Nos julgam como "gostosas", donas de belas bundas e quadris invejáveis (o que não é o meu caso), marrom-bombom, cor do pecado...nos jogam no carnaval para os gringos como se joga milho para galinhas famintas, fingem nos coroar rainhas, mas a coroa é cravada de pura luxúria e sexualismo.


Quando me revoltei com o babaca, fui pesquisar sobre a banalização da mulher negra no Brasil, e ao me deparar com a primeira foto deste post no instagram da Sheron Menezes, me senti em um mercado humano na época colonial, senti vergonha do Brasil, senti ódio da rede globo. Que porra é essa agora? Negros vendendo negros? O que faz uma negra aceitar apresentar um quadro onde sua própria raça é desvalorizada e apresentada como objeto sexual? Um contrato? Um cachê? Ou a falsa glória de que uma negra que vende negras está livre do próprio jugo de sua raça? Impossível compreender.
A globo continua vendendo carnaval como se fosse uma afirmação da cultura negra, pregando que festa é nossa, por isso devemos eleger a mais bela bunda negra para sacudir a Sapucaí e deixar os gringos babando, devemos todas sambar, aproveitar o espaço em rede nacional que só nos é dado em troca de muita mulher pelada sambando e alegrando a nação de idiotas, afirmando que mulatas só servem para isso mesmo, e só se encaixam na rede em fevereiro, e fim.



Nos outros meses, a globo escolhe negros que ocupam a classe dos capatazes brancos, usando a nossa própria raça como nosso dominador, divindo a raça em: pretos bem sucedidos que aparecem em horário nobre vestindo um guarda-pó, e pretos favelados que aparecem na ridícula série Falcão do Fantástico. Babacas!
A indústria nos banaliza de propagandas limpas e construtivas, mas se jogam aos nossos pés quando o assunto é sensualizar, mostrar tudo e rebolar.
Até quando a mulher negra será a sub-mulher? Até quando nossos corpos serão mais importantes do que a nossa inteligência? Até quando o brilho dos paetes irão ofuscar o nosso brilho próprio?
Já faz um bom tempo que deixei de assistir a rede globo, conforme amadureci meus ideais e minha identidade negra, fui percebendo detalhes sutis em séries e novelas que tratavam negras como objeto sexual, ou favelada, pobre, drogada e gananciosa.
Via ótimas atrizes negras, cheias de competência, se expondo a papéis ridículos e humilhantes e se tornando coniventes com a visão implantada pela globo sobre mulheres negras...aceitar esse tipo de papel é aceitar que negras devem continuar na cozinha, na roça, nas favelas ou expondo seus corpos no carnaval. 
Eu poderia citar centenas de personagens humilhantes apresentadas pela globo através de atrizes negras, mas acho desnecessário, afinal, todos nós vemos claramente isso a cada série como Subúrbia e etc. 





Está na hora de mudarmos a visão sobre nós mesmas, não aceitarmos o que a indústria joga em cima de nós, chega! Estamos dando pequenos passos em direção a liberdade, o movimento de transição capilar é uma prova disso, mulheres negras se aceitando, e encontrando em si suas próprias raízes e valores, acho lindo ver uma negra de black, nem esquentando pros padrões, apenas se achando mais linda a cada reflexo nas vitrines, e nos olhos das pessoas que as encaram.
É lógico que a indústria não se opôs contra a nossa libertação da chapinha, mas correu para fingir estar do nosso lado, e que black é lindo...mas eles não precisam nos dizer isso agora, aprendemos sozinhas enquanto eles nos oprimiam com padrões de "lisisse" extrema não é?!
Bom, o caminho está traçado, só precisamos seguir, a liberdade vem quando não aceitamos a condição, somos capazes, somos fortes, levamos esse país nas costas e não podemos nos colocar como mero objeto sexual, porque não somos isso.
Desejo que cada mulher negra se assuma, se aceite e se ame. Que encontre a sua identidade além do que os outros dizem, e que sejamos mais do que o esperado.
Chega dessa patifaria, se querem fazer do Brasil um prostíbulo vestido de festa que excluam a ideia de que negras são a cara do carnaval, porque nossa cara está bem longe de ser reflexo dessa máfia e podridão que é o carnaval.
Que sejamos fortes e guerreiras como Angela Davis, e que os modos do nosso país não nos façam mulheres omissas, mas que com convicção, coragem e garra possamos nos auto conhecer, e não deixar que nos julguem...mas que aprendam valorizar nossa postura, não o nosso quadril.


E queridinho que me mandou sambar, bota você uma micro saia pra combinar com o tamanho do seu cérebro, rebole bem descaradamente pra combinar com a sua cara de pau e vai desfilar você, eu tenho mais o que escrever, mais o que pensar e mais o que mudar nesse país onde tantos pensam como você...por enquanto! Bye Bye Babaca!!! 

Karola, por: espírito de Angela Davis ;) kkkk