Mais tarde a modelo chegou a tentar suicídio ainda na adolescência. Deslocada Winnie não conseguia se encaixar no grupinho das negras por ser levemente esbranquiçada e não se encaixava no grupo das brancas por ser meio amarronzada. Foi necessário anos de enfrentamento com o espelho para que enfim ela se aceitasse e enxergasse em si uma beleza incomparável. Então a gata decidiu não só abraçar sua condição como mostrar ao mundo que existe algo muito além da cor da pele, e que isso é apenas um detalhe para dar cor à humanidade. Hoje Winnie é a candidata mais popular - e querida - da nova temporada do programa “America’s Next Top Model” e se define como a “modelo porta-voz do vitiligo”. No Instagram dela, @Winnieharlow, podemos ver o quanto ela é única e sua beleza é estonteante, tornando-a um diamante único para o mundo da moda.


Amanhã faço 20. Pra mim, não estou velha, nem nova, me sinto apenas, evoluindo, não em idade, mas em ciclos de vida.
Tem dias, que acordo me sentindo aos 40. Talvez por me sentir um pouco atrasada em um mundo onde tudo é tão precoce.
EU: Sem faculdade, sem carro, sem apê, seeeeeeeem CNH...Ó my God! Maldita CNH que não sai nunca. Maldita mania de procrastinar tudo, e até procrastinar a arte que é procrastinar...
Vinte anos, não fiz intercâmbio, não fiz uma viagem dos sonhos, não tive festa de 15 anos, não conheci um príncipe num cavalo branco, ainda ando de ônibus, tenho que trabalhar e me virar pra pagar minhas continhas, não sou uma super nerd que conseguirá entrar em Harvard com tudo pago (OMG) ...vivi vinte anos assim, nessa vida que me arrastou até hoje...e vocês pensam que eu estou feliz em completar mais um ano dessa mesma vida?
SIIIIIIM!!! é claro que estou. Estou feliz em ter conseguido chegar aqui, mesmo com tantas dificuldades e marés altas, a vida me dá diariamente motivos para ser grata e feliz por tudo que sou.
Não fiz intercâmbio, mas conheço minha cidade, conheço meu povo e não há lugar melhor do que a terrinha da gente, e sonho que as crianças daqui sejam aqui mesmo o que seriam se fossem pro intercâmbio.
Quero enriquecer aqui, minhas crianças, minha cidade, meu País, não quero fugir disso e sonhar com o que os gringos já possuem..isso é besteira!
Não fiz uma viagem dos sonhos, mas a cada pequena viagem que fiz vivi lindas memórias, irmãos apertadinhos no carro cantarolando mais alto que o rádio várias canções que faziam meus pais enlouquecerem e mandarem os 3 ficarem quietos e sem rir...o que obviamente, causava risos internos que escapavam nos cantos dos lábios e nos faziam querer rir feito hienas...cada cidadezinha que parávamos se tornava ponto turístico para o melhor guia da história: MEU PAI! sempre inventando coisas engraçadas e contando histórias mirabolantes de cidades tão pacatas que até cavalo se entediaria...mas não perto do meu pai! As viagens foram poucas, mas marcantes para toda uma vida.
Não tive festa de 15 anos...mas obrigada queridos pais, obrigada por me fazerem chegar aos 15 sem filhos, com estudo, e com princípios inegociáveis, isso me fez a mulher que sou hoje, uma festa jamais seria tão luminosa quanto o brilho que vocês lumiaram em mim.
Não fui e nem vou pra Harvard kkkk, mas pra mim nada é mais precioso do que a curiosidade e a sagacidade que descobri com cada livro que li, minha mãe sem ter doutorado foi a doutora mais eficiente da minha vida, curando meus tédios, minhas dúvidas e meus medos com doses de livros que me deram asas, me deram as mesmas asas que a doutora desenvolvera, asas feitas de palavras que nos libertam quando precisamos expressar a inundação de pensamentos que nos piram todo santo dia. Fiquei uma doida sábia, e como se sabe a sabedoria é aluna de Deus.
Não conheci um príncipe no cavalo branco...é, mas conheci alguns plebeus que me arrancaram sorrisos e lágrimas, e me fizeram amadurecer para o dia em que encontraria O plebeu que encheria meu coração dos sentimentos mais nobre que qualquer príncipe já lerá nos sonetos e poesias a temporãos, O plebeu que trouxe tanto amor, que qualquer outra exigência para um relacionamento se rendeu facilmente e o condecorou ao mais alto escalão do meu coração.
O mundo me criou iludida por coisas materiais, onde o ter é mais importante que o ser.
Mas hoje, me sinto orgulhosa da mulher que me tornei.
Regada pelo amor dos meus pais que me receberam quando não havia terra muito fértil para me plantar, mas plantaram, e regaram diariamente com todo amor e dedicação possível e impossível, me deixaram enfrentar tempestades para que minhas raízes ficassem mais fortes, mas sempre com as mãos prontas a me proteger. Me livraram dos espinhos, das ervas daninhas da adolescência, me firmaram em Rocha firme, e me fizeram desabrochar, e agora se enchem de alegria ao ver-me toda flor na vida.
Meus vinte anos não chegará com festas, paetês, fru-frus, mas chegará enfeitando minha alma com mais coragem, perseverança, fé, e muito amor...e sabe, acho que pra fechar com chave de ouro eu só preciso de um bolinho de fubá com chá quentinho para realmente comemorar...
Parabéns para eu, parabéns para mim :)
Karola que escreveu sem reler, porque vive a vida sem repensar, e no texto de aniversário só quis jogar as palavras na tela e se sentir feliz, sem ter que parecer bonito ou certo, certo é escrever o que sente e por um 'the end' no final ;*
E agora, uma musiquinha pra animar MEU (Muahahaha) dia u_u kkkkk
Hoje, me abordaram dizendo que eu deveria sair na maior escola de samba aqui de Bauru, que eu tenho "porte" e beleza ideal pra isso, e que seria o espetáculo da noite. Eu, inocentemente respondi que não gosto de carnaval, e jamais sairia em uma escola de samba por motivos pessoais.
Nessa, o cara me olha e diz: "Nossa, as mulatas de hoje não estão servindo nem pra sambar!!!".
Virou-se e esnobou-me. Não acreditei! Fiquei boquiaberta e paralisada com tal frase recheda de arrogância e preconceito.
Senti o racismo perfurando minhas entranhas, e aquela frase impregnou meu ser me gerando um ódio inexplicável, e eu ali, parada, estática, sem poder sequer retrucar.
Engoli a seco aquelas palavras que desceram rasgando minha alma, e me senti tão impotente quanto uma escrava abusada pelo capataz, era como se aquelas palavras nojentas estivessem grudadas em mim.
Fiquei regurgitando aquela frase, e senti nojo do que a indústria e os "poderosos" fazem com a figura da mulher mulata e negra.
Nos julgam como "gostosas", donas de belas bundas e quadris invejáveis (o que não é o meu caso), marrom-bombom, cor do pecado...nos jogam no carnaval para os gringos como se joga milho para galinhas famintas, fingem nos coroar rainhas, mas a coroa é cravada de pura luxúria e sexualismo.

Quando me revoltei com o babaca, fui pesquisar sobre a banalização da mulher negra no Brasil, e ao me deparar com a primeira foto deste post no instagram da Sheron Menezes, me senti em um mercado humano na época colonial, senti vergonha do Brasil, senti ódio da rede globo. Que porra é essa agora? Negros vendendo negros? O que faz uma negra aceitar apresentar um quadro onde sua própria raça é desvalorizada e apresentada como objeto sexual? Um contrato? Um cachê? Ou a falsa glória de que uma negra que vende negras está livre do próprio jugo de sua raça? Impossível compreender.
A globo continua vendendo carnaval como se fosse uma afirmação da cultura negra, pregando que festa é nossa, por isso devemos eleger a mais bela bunda negra para sacudir a Sapucaí e deixar os gringos babando, devemos todas sambar, aproveitar o espaço em rede nacional que só nos é dado em troca de muita mulher pelada sambando e alegrando a nação de idiotas, afirmando que mulatas só servem para isso mesmo, e só se encaixam na rede em fevereiro, e fim.
Nos outros meses, a globo escolhe negros que ocupam a classe dos capatazes brancos, usando a nossa própria raça como nosso dominador, divindo a raça em: pretos bem sucedidos que aparecem em horário nobre vestindo um guarda-pó, e pretos favelados que aparecem na ridícula série Falcão do Fantástico. Babacas!
A indústria nos banaliza de propagandas limpas e construtivas, mas se jogam aos nossos pés quando o assunto é sensualizar, mostrar tudo e rebolar.
Até quando a mulher negra será a sub-mulher? Até quando nossos corpos serão mais importantes do que a nossa inteligência? Até quando o brilho dos paetes irão ofuscar o nosso brilho próprio?
Já faz um bom tempo que deixei de assistir a rede globo, conforme amadureci meus ideais e minha identidade negra, fui percebendo detalhes sutis em séries e novelas que tratavam negras como objeto sexual, ou favelada, pobre, drogada e gananciosa.
Via ótimas atrizes negras, cheias de competência, se expondo a papéis ridículos e humilhantes e se tornando coniventes com a visão implantada pela globo sobre mulheres negras...aceitar esse tipo de papel é aceitar que negras devem continuar na cozinha, na roça, nas favelas ou expondo seus corpos no carnaval.
Eu poderia citar centenas de personagens humilhantes apresentadas pela globo através de atrizes negras, mas acho desnecessário, afinal, todos nós vemos claramente isso a cada série como Subúrbia e etc.
Está na hora de mudarmos a visão sobre nós mesmas, não aceitarmos o que a indústria joga em cima de nós, chega! Estamos dando pequenos passos em direção a liberdade, o movimento de transição capilar é uma prova disso, mulheres negras se aceitando, e encontrando em si suas próprias raízes e valores, acho lindo ver uma negra de black, nem esquentando pros padrões, apenas se achando mais linda a cada reflexo nas vitrines, e nos olhos das pessoas que as encaram.
É lógico que a indústria não se opôs contra a nossa libertação da chapinha, mas correu para fingir estar do nosso lado, e que black é lindo...mas eles não precisam nos dizer isso agora, aprendemos sozinhas enquanto eles nos oprimiam com padrões de "lisisse" extrema não é?!
Bom, o caminho está traçado, só precisamos seguir, a liberdade vem quando não aceitamos a condição, somos capazes, somos fortes, levamos esse país nas costas e não podemos nos colocar como mero objeto sexual, porque não somos isso.
Desejo que cada mulher negra se assuma, se aceite e se ame. Que encontre a sua identidade além do que os outros dizem, e que sejamos mais do que o esperado.
Chega dessa patifaria, se querem fazer do Brasil um prostíbulo vestido de festa que excluam a ideia de que negras são a cara do carnaval, porque nossa cara está bem longe de ser reflexo dessa máfia e podridão que é o carnaval.
Que sejamos fortes e guerreiras como Angela Davis, e que os modos do nosso país não nos façam mulheres omissas, mas que com convicção, coragem e garra possamos nos auto conhecer, e não deixar que nos julguem...mas que aprendam valorizar nossa postura, não o nosso quadril.
E queridinho que me mandou sambar, bota você uma micro saia pra combinar com o tamanho do seu cérebro, rebole bem descaradamente pra combinar com a sua cara de pau e vai desfilar você, eu tenho mais o que escrever, mais o que pensar e mais o que mudar nesse país onde tantos pensam como você...por enquanto! Bye Bye Babaca!!!
Karola, por: espírito de Angela Davis ;) kkkk
O natal se foi e a gente ainda está empanzinado de tanta comida, doces e refrigerante.
Nossa árvore ainda pisca, os presentes exalam cheirinho de novo e a noite feliz não durou nem 7 horas...E aí, me bate um tremendo arrependimento. Uma reflexão sem fim que me faz por um momento, odiar esse clima natalino.
Tanta correria, tantas compras, tanta comida, pra quê? pra quem?
E se parte do tempo, do dinheiro e da comida que você separou para o natal, fossem destinados a quem não tem motivos para comemorar?
É claro como as "luzinhas" que piscam na sua janela que a essência natalina já se foi à tempos, difícil é saber se algum dia ela já existiu, não me parece ser claro a existência e a consciência do que é (ou deveria ser ) o natal.
Sem tocarmos no assunto de que o natal é uma suposta comemoração do aniversário de Jesus, vemos o natal de uma maneira tão egoísta e prepotente onde quem possuir a maior árvore rodeada de pacotes, o peru mais gordo, a casa mais iluminada, terá também o melhor e mais feliz natal, Hô Hô Hô.
Como se o natal se resumisse a uma noite mesquinha de presentes, mesas carregadas de comidas e fim. Vamos todos dormir felizes e empanturrados, enquanto isso, na esquina alguém revira o seu lixo atrás de uma sobra qualquer do seu banquete...
Difícil falar do que não vivo, mais muito fácil falar do que observo e faço questão de mudar em minímas atitudes. Sem hipocrisia, sem cinismo, sabemos o que se passa fora da nossa zona de conforto, só não queremos ver.
Infelizmente o capitalismo estragou o natal e qualquer outra data comemorativa, e o primeiro pensamento sempre é: "O que vou dar de presente?" "Preciso de uma roupa nova para a ocasião!" e outros pensamentos implantados em mim e em você, de forma que nos leva a pensar unicamente no nosso momento, na nossa felicidade e na das pessoas que a gente ama.
Mas não é assim. Pelo menos, não deveria ser.
Nesse natal vi de perto várias famílias que não passaram noites felizes, e que não tinham embrulhos bonitos embaixo da árvore, não tinham sequer um peru ou uma mesa para enfeitar.
Nesse natal quando vi os sorrisos iluminados dos meus, pensei nas lágrimas dos que não tinham motivo pra sorrir. Senti um pouco de vergonha por isso.
Não precisamos olhar longe para ver alguém necessitado de uma blusa, um brinquedo que você não brinca mais, uma cesta básica ou um panettone.
Sinceramente, eu não desejo que o natal deixe de ser natal, eu desejo inocentemente, do fundo do meu coração que o nosso natal, seja o natal de todos, a noite feliz de verdade, não a noite feliz da Globo.
O natal se foi, mas o espírito não se apaga junto com as luzes, ele permanece aceso dentro o coração de quem está disposto a olhar a dor do outro, a dividir, e a multiplicar sorrisos.
Faça algo, adote uma cartinha, adote uma família para doar algo mensalmente, ajude aquela pessoa que precisa de um emprego à arrumar um, pague um almoço para aquela tiazinha que pede moedas...mas faça alguma coisa por favor!!!
Que não sejamos enganados pelas mensagens forjadas da Coca cola, nem pelas músicas de paz da Globo, que a Bauducco não nos engane com a tal felicidade para todos, que as empresas não tape os seus olhos para fingir que está tudo lindo e todos estão felizes, porque não estão. Abra os seus olhos e enxergue quem precisa da sua ajuda. Um novo ano vai surgir e eu desejo que as pessoas procurem por quem precisa, olhe para quem é ignorado, o egoísmo e o ego do ser humano já chegou no ápice, precisamos fazer o caminho de volta, encontrar o verdadeiro sentido de todas as datas comemorativas...chega de blá blá blá em campanhas bonitinhas e vamos atacar com ação.
E acredite, o bom velhinho não morreu, ele está ocupado demais olhando pelos necessitados. (Sl. 127.2) ;)
Beijokas, Karola :*
















